Covid-19

Coronavírus deixa a Região Norte em alerta máximo

Coronavírus deixa a Região Norte em alerta máximo

Três faculdades e escola de Felgueiras fechadas. Dois universitários infetados têm ligação à fábrica de Lousada, onde está o maior foco.

O Governo decretou a suspensão das visitas a doentes nos hospitais, lares de idosos e prisões da Região Norte, a partir deste domingo. Foram encerradas duas faculdades no Porto e o reitor da Universidade do Minho suspendeu as aulas no campo de Gualtar. A Escola Secundária de Idães, em Felgueiras, foi fechada. O objetivo é "retardar a disseminação" do novo coronavírus, que "em poucos dias teve uma expansão grande e rápida", como salientou a diretora-geral da Saúde.

Sábado à noite, contavam-se 21 doentes infetados, 47 pessoas aguardavam resultados e 412 estavam sob vigilâncias. A maioria dos infetados estão internados no Norte (15), região onde um só doente já gerou um foco de 11 casos. Para responder à evolução a Norte, foi instalado um hospital de campanha no "S. João" na última noite.

As novas medidas para contenção do Covid-19 foram anunciadas pela ministra da Saúde, acompanhada da diretora-geral da Saúde. Marta Temido informou que tinham acabado de decidir encerrar a Faculdade de Farmácia e o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, ambos da Universidade do Porto, o edifício do curso de História da Universidade do Minho e a Escola Básica e Secundária de Idães, em Felgueiras. "Identificámos que casos recentemente confirmados como Covid-19 estiveram em instituições de ensino, elevando o risco de transmissão nessas instituições", disse a ministra.

Entre os infetados há, pela primeira vez, crianças e jovens (três). O JN sabe que um dos jovens, de 19 anos, estuda na Universidade do Minho e a namorada, também infetada, na Faculdade de Farmácia do Porto e tem aulas no ICBAS. Ao que apurámos, a origem destas duas infeções será o tio do jovem, que está internado no "S. João" e que trabalha na fábrica de calçado, em Lousada, encerrada desde quinta-feira e que pôs 64 funcionários em vigilância. Nesta cadeia haverá ainda ligações à Secundária de Idães, onde estudam 564 alunos. A Câmara de Felgueiras reuniu de urgência e decidiu fechar os equipamentos municipais em Idães.

Retardar disseminação

Na conferência, Graça Freitas explicou que "houve uma pessoa que regressou de Itália que é considerada o caso índice deste foco no Norte. Esta pessoa teve vários contactos sociais e originou, logo à partida, nove casos secundários. E uma destas pessoas originou um caso terciário". Para a diretora-geral, a situação ainda está limitada, mas "em poucos dias houve uma expansão relativamente rápida a partir de um único caso. Por precaução, e porque conhecemos apenas a ponta do icebergue, tomamos estas medidas".

As faculdades e a escola permanecerão encerradas até novas orientações. A ministra acrescentou que as autoridades de saúde estão neste momento a avaliar "se outras medidas serão necessárias". "Faremos tudo para retardar ao máximo a disseminação deste vírus para a comunidade", assegurou Marta Temido, adiantando que as medidas serão reavaliadas a cada momento e podem ser estendidas a outras regiões.

"Dos 412 casos em vigilância pelas autoridades de saúde, há mais de 200 que são contactos com ligação a um destes casos". A ministra Marta Temido insistiu que "a prudência e a necessidade de adoção das medidas adequadas à salvaguarda da saúde pública" recomendaram estas medidas que, em função da avaliação de risco, poderão ser "alargadas nas próximas horas ou nos próximos dias".

O especialista em pneumologia António Diniz diz que o facto de ser ter registado, sábado, pela primeira vez, um caso terciário - uma cadeia de transmissão que passa de uma primeira para uma segunda e dessa para uma terceira pessoa - faz com que se esteja "a meio caminho" para a disseminação na comunidade. O membro do gabinete de crise da Ordem dos Médicos elogiou a "proatividade" das autoridades nas medidas de contenção, visto que se está perante "algo que tem um grau de imprevisibilidade muito grande".

O "consumo elevado" de equipamentos de proteção por parte dos hospitais do Norte, como o São João, já obrigou a recorrer à reserva estratégica nacional, disse Marta Temido. A falta de máscaras e o preço alto levaram a União Europeia a lançar um concurso de compra único e Portugal quer participar. Bruxelas, disse, avisou que os países não devem açambarcar equipamentos e está atenta à especulação de preços.

Desde 2 de março, quando foi conhecido o primeiro caso positivo de Covid-19, a linha SNS24 tem estado sempre acima da sua capacidade máxima - 10 mil chamadas -, tendo ultrapassado as 13 mil nos dias 2 e 4. Por esse motivo, a diretora-geral de Saúde apelou a que não se congestione o serviço a menos que haja sintomas. A linha é "excelente", clarificou Graça Freitas, mas "as pessoas podem ir a sites, revistas ou jornais para tirar dúvidas", deixando o serviço telefónico disponível para a triagem de quem tenha vindo de áreas infetadas ou tenha estado em contacto com doentes. "Os cidadãos também têm de ser flexíveis na procura de cuidados", concluiu.

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