Reportagem

Coronavírus deixa Felgueiras e Lousada entre o alarme e a prevenção

Coronavírus deixa Felgueiras e Lousada entre o alarme e a prevenção

Lousada e Felgueiras estão a meio gás numa tentativa de conter a propagação do novo coronavírus nos dois concelhos, os mais afetados do país.

Há escolas, creches, serviços municipais, piscinas, ginásios e bibliotecas fechadas, funerais condicionados e atividades religiosas suspensas.

As medidas, preventivas e sem prazo, são "gravosas" para o dia a dia da população, admitem os autarcas dos dois municípios. "Mais vale prevenir do que remediar" e "não relativizem o problema" foram alguns dos apelos deixados por Pedro Machado e Nuno Fonseca, que deram ontem uma conferência de imprensa conjunta - com um metro de distância entre ambos - e pediram "tranquilidade" e "responsabilidade" às populações.

O impacto na economia é uma das principais preocupações numa região onde já há fábricas a parar por falta de matérias-primas ou devido a trabalhadores infetados. Os autarcas vão pedir ao Governo para que possa "acautelar medidas extraordinárias de apoio às empresas". Quem vive e trabalha em Lousada e Felgueiras divide-se entre o alarmismo das medidas e a necessidade de prevenção. "Estamos um bocado preocupados e com receio", admite Joaquim Cunha. "Os meus netos já diziam que iam com medo para a escola", acrescenta o felgueirense. Há quem se acautele e acredite que alguns deviam preocupar-se mais.

"Mantemos as distâncias de segurança aos clientes e desinfetamos as mãos. Agora, começa a haver mais preocupação, mas ainda há muito desleixo", apontam Vasco e Felisberto Cunha, comerciantes de Felgueiras. Aqui, tal como em Lousada, há agências bancárias fechadas e outras em serviços mínimos e pelas ruas veem-se alunos que ficaram sem aulas.

quebra de 80%

"Isto é alarmismo a mais. Tivemos uma quebra de 80% dos clientes porque não anda ninguém na rua", queixa-se Paula Pereira, comerciante de Lousada. "Não estou com medo do vírus, mas dos problemas na economia".

"Vou passando álcool pelas mãos e tento não cumprimentar as pessoas. Não sabemos quem está infetado ou se eu posso já estar", explica Domingos Sousa, taxista. As filhas viram-se obrigadas a ficar em casa com os netos devido ao fecho das escolas. O mesmo acontece com Carla Lança e a filha Júlia, em Lousada. Teve de ficar em casa porque não tinha com quem deixar a menina, que além da escola ficou sem o ballet e a patinagem. "Conheço pessoas que estão em pânico e outras que acham isto um exagero. Mas se é para bem, mais vale prevenir", diz, questionando ainda assim a validade das medidas quando há mobilidade de pessoas entre concelhos.

Nos últimos dias, houve uma "corrida" aos supermercados e nas farmácias faltam gel desinfetante e álcool. As consultas e os exames dos utentes de Lousada e Felgueiras no Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa foram cancelados.

Dois bombeiros de Lousada estão em isolamento, após o transporte de um infetado.

Missas suspensas - O bispo do Porto, D. Manuel Linda, determinou a suspensão de todas as missas e devoções populares até ao meio-dia do próximo sábado nas vigararias de Lousada e Felgueiras. A catequese também está suspensa. Quanto aos funerais, é recomendado que sejam celebrados "exclusivamente com a presença dos familiares diretos".

Tribunais só julgam processos urgentes - O Conselho Superior da Magistratura (CSM) informou ontem que os tribunais de Felgueiras e Lousada "apenas" vão realizar "diligências referentes a processos urgentes" (com pessoas presas ou que tenham em jogo interesses de crianças, por exemplo). A limitação vigora até que as autoridades de saúde levantem as medidas impostas nestes concelhos, acrescentou o CSM, que já aprovou um plano de contingência para todos os tribunais.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG