Covid-19

Corrida aos supermercados desacelera, mas "ajuntamentos" preocupam

Corrida aos supermercados desacelera, mas "ajuntamentos" preocupam

Regras de segurança ainda provocam filas, mas o açambarcamento e o desespero que deixaram prateleiras vazias desapareceu. Distanciamento no interior dos espaços, fundamental neste fase de forte contágio, não é ainda respeitado e surge na maioria das queixas dos utentes, escutados na manhã desta sexta-feira pelo JN, em Lisboa.

O silêncio e o afastamento das pessoas com máscaras nas filas à entrada das superfícies comerciais são sinais inequívocos de que ainda falta tempo para regressar a um padrão de normalidade. Porém, apesar do quadro, que até pode ser apenas temporário, já que atual situação é ainda de incerteza, há uma acalmia clara na corrida aos supermercados. O "açambarcamento" e algum "pânico", gerado há cerca de duas semanas, expressões usadas por funcionários dos espaços visitados pelo JN, no centro de Lisboa, passou.

A economia alimenta-se de expectativas e as pessoas terão percebido que os produtos, à exceção do Álcool e Gel desinfetante, mantém-se nas prateleiras e que não há necessidade de exagerar na compra.

"Aqui, na fase inicial, houve essencialmente uma corrida enorme à carne, mas agora as coisas abrandaram. Creio que perceberam que não ia faltar. Também se vê menos gente nas ruas depois das novas regras (estado de emergência) e a polícia já começa a interpelar quem passa", assegurou um elemento de um mercado na zona do Martim Moniz.

Da corrida desenfreada aos produtos não perecíveis (enlatados, arroz, massas, papel higiénico) e congelados, os consumidores desta zona parecem hoje privilegiar as visitas mais frequentes, em alguns casos diárias, na procura de pão, frutas, vegetais e laticínios.

"Levo pouca coisa, mas o essencial. Venho uma vez por semana e chega-me", assume Horácio Nogueira, 36 anos, à saída de um dos espaços na Rua 1º de Dezembro, no coração da cidade. Trabalhador de uma cadeia concorrente, não vislumbrou qualquer falha evidente de produto na loja que ultrapassa os 400 m2, à exceção do álcool e gel desinfetante, espécie de diamantes raros dos novos tempos.

"Cá fora observa-se a distância, mas lá dentro não respeitam o espaço. Também não existem linhas de segurança marcadas no chão, quer nas caixas, quer na padaria. Aí as pessoas não respeitam nada. Creio que ainda andam a brincar um pouco com isto", atirou. Uma questão grave face à atual fase de mitigação da pandemia ou seja a mais forte de contágio já que o vírus se encontra disseminado pela população.

As entradas nos espaços são controladas - 8 pessoas por cada 200 m2 - numa cadência unitária, mas a um ritmo que impedia o aumento da fila, que nunca juntou mais de uma dezena de pessoas durante a manhã. Um cenário semelhante mas de dimensões superiores noutra loja do grupo junto às Olaias.

Já numa idade de risco, 63 anos, Francisco Melo abastece-se noutro espaço da Av. Almirante Reis, noutra cadeia. Sem máscara nem luvas, - diretriz da DGS - admite conhecer as boas práticas da luta contra a Covid-19 pela informação que recolheu no centro de saúde.

"Fui alertado para medidas que ainda cumpro. Mantenho a distância e lavo sempre as mãos. Aproveito para fazer compras diariamente e só levo o essencial. Hoje, pão, frutas, vegetais e leite. Cá fora respeita-se a margem de segurança, mas lá dentro não. Eu asseguro isso, mesmo na caixa. Mas, depois, sinto alguém quase a tocar-me", observou ao JN.

Mais um quilómetro em direção ao Tejo, Elisa Henriques, pensionista, completa a volta do dia. A energia, jovialidade e aparência escondem os seus 74 anos.

"Gosto de ir às compras e de ver as pessoas. Hoje fui a mais do que um sitio comprei peixe e venho aqui à fruta. Tenho alguma coisa em casa e só levo o que preciso pois não creio que vá faltar. Não tenho visto é álcool, mas já o tinha em casa. E noto uma subida de preços nos congelados", referiu. Por outro lado, assegura manter a "distância e respeitar o espaço dos outros". " Reconheço que há quem não o faça. Às vezes uso luvas, mas confesso que fazem muito calor", acentuou.

A espera naquela loja é subitamente interrompida pela passagem de uma jovem ligada à hotelaria. Não quis identificar-se, mas mostrou como se protege "para ver se consciencializo as pessoas". "No meu ramo lido muito com gente de idade e vejo-os sem proteção. Só peço que se cuidem".

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG