Barómetro

Costa acusa desgaste da pandemia mas Marcelo também está em queda

Costa acusa desgaste da pandemia mas Marcelo também está em queda

Primeiro-ministro perdeu 12 pontos desde julho e tem agora 51% de avaliações positivas. Presidente mantém patamar elevado (60%).

António Costa e o Governo continuam em trajetória descendente: perdem três pontos percentuais nas avaliações positivas face a setembro, e 12 face a julho, no último barómetro político da Aximage para o JN e a TSF. O saldo mantém-se positivo, mas depende cada vez mais dos eleitores socialistas. Também o presidente da República acusa algum desgaste, ainda que esteja num patamar claramente superior, com 60% de avaliações positivas.

Longe vão os tempos em que o país político se uniu em volta do objetivo comum de conter a pandemia e minorar os seus efeitos económicos e sociais. O verão ficou para trás, a barganha do Orçamento do Estado começou a fazer os seus estragos e juntou-se uma segunda vaga da pandemia mais incisiva do que a primeira.

O primeiro-ministro estará a pagar a fatura, mas desta vez também sobra para o presidente. No caso de Marcelo Rebelo de Sousa, no entanto, é preciso ter em conta que estamos em contagem decrescente para as eleições presidenciais e que os seus principais concorrentes já se apresentaram.

As razões que explicam os percalços de Costa e Marcelo podem ser parcialmente diferentes, mas há um património comum. A análise aos segmentos da amostra demonstra por exemplo que ambos conseguem o melhor resultado entre os eleitores mais velhos e mais pobres. Mas também há semelhanças ao nível partidário.

Quer o primeiro-ministro, quer o presidente têm a maior falange de apoio entre os eleitores socialistas: 85% dão nota positiva a Costa, 84% a Marcelo. Da mesma forma, o saldo só é negativo entre os eleitores dos três partidos mais à Direita (Chega, Liberais e CDS). Mas quem faz pender a balança são os que votam no PSD: Marcelo tem um saldo positivo de 43 pontos entre os sociais-democratas e Costa apenas sete.

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Confiança presidencial

O padrão repete-se quando o que está em causa é a confiança. O resultado permanece estável, com 45% a preferirem Marcelo e 13% a optarem por Costa. Mas ambos registam os seus melhores resultados entre os mais velhos e os mais pobres. A linha divisória mais clara é de novo a partidária. O primeiro-ministro só ganha entre socialistas, o presidente vence em todos os outros, com destaque para os eleitores do PSD.

Finalmente, mantém-se a estabilidade no que diz respeito à exigência que Belém deve ter relativamente a S. Bento: 70% pedem mais vigilância a Marcelo, sendo que o fazem de uma forma transversal, ou seja, em todos os segmentos etários, geográficos, sociais e partidários (incluindo os que votam nos socialistas).

Os portugueses não gostam da Oposição. Ainda que a grande maioria vote em partidos da Oposição. O barómetro político da Aximage para o JN e a TSF confirma esse aparente e persistente paradoxo, uma vez que este mês o saldo se mantém negativo: 38% estão insatisfeitos, 27% dão nota positiva. Uma melhoria, apesar de tudo, relativamente a setembro (o saldo negativo passou de 17 para 11 pontos).

Analisados os vários segmentos etários, regionais e sociais (com a ressalva de que a margem de erro é maior quanto menor a dimensão da amostra), há um único caso em que a Oposição consegue um saldo positivo: os irredutíveis gauleses são os portugueses que têm entre 35 e 49 anos. A partir daí é o desastre.

O mesmo acontece quando o ângulo incide nos eleitores dos diferentes partidos. O único caso em que há um saldo positivo é entre os que votam no PAN. Ao contrário, os que optam pelos três pequenos partidos mais à Direita (Liberais, CDS e Chega), são os mais críticos, com as avaliações negativas a ultrapassarem sempre os 60 pontos percentuais.

Numa posição intermédia aparecem os eleitores dos partidos mais tradicionais, com destaque para os do PSD, que estão praticamente divididos ao meio, mas também para os do PS: o saldo negativo é de apenas três pontos entre aqueles que, afinal, teriam mais razões de queixa da Oposição.

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