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Costa com saldo negativo pela primeira vez. Marcelo sem rival na popularidade

Costa com saldo negativo pela primeira vez. Marcelo sem rival na popularidade

Depois do cartão amarelo, em julho, o cartão vermelho, em novembro. O primeiro-ministro fica pela, primeira vez, com saldo negativo na avaliação dos portugueses, de acordo com o barómetro da Aximage para o JN, DN e TSF. Ao contrário do que aconteceu no verão, a desilusão não se alarga ao presidente da República, que, se já era o mais popular, passa também a ser o único líder político com uma imagem positiva junto dos portugueses.

Os sinais não são os melhores para António Costa, quando já estão marcadas as datas das eleições legislativas antecipadas (30 de janeiro). É certo que as intenções de voto no PS se mantêm altas (38,5%), mas a avaliação que os portugueses fazem do chefe de Governo sofreu novo abalo. Depois da quarta vaga da pandemia, a explicação para os estragos reside agora no chumbo ao Orçamento do Estado e na consequente crise política.

O primeiro-ministro gozava, há pouco mais de seis meses, de um saldo positivo de 40 pontos percentuais (diferença entre avaliações positivas e negativas). Em maio, essa vantagem desceu para 23 pontos. Em julho, reduziu-se para uns escassos seis pontos. E passa agora para um saldo negativo de dois pontos, com 39% dos inquiridos a darem nota negativa, contra 37% de avaliações positivas.

Seniores de regresso

Apesar de a queda ser generalizada, há segmentos da população que salvam António Costa de uma descida aos infernos: antes de todos, os portugueses com 65 ou mais anos, que não lhe tinham perdoado os passos em falso durante a quarta vaga da pandemia, mas que regressam agora, quando o que está em causa é a "coligação negativa" que chumbou o Orçamento e espoletou a crise política: é apenas entre os mais velhos que o primeiro-ministro consegue um saldo positivo de 18 pontos (nos outros três grupos etários está no vermelho).

Quando o ângulo de análise aponta às escolhas partidárias, constata-se que a popularidade do primeiro-ministro depende agora quase exclusivamente dos eleitores do PS (76% de avaliações positivas). Deixou de contar com a indulgência de boa parte dos sociais-democratas (o saldo é agora de 42 pontos negativos quando, em maio passado, tinha tantos admiradores quanto detratores entre os que votariam no PSD), mas, a mudança fundamental regista-se mais à Esquerda: passou de saldo positivo para saldo negativo entre bloquistas e comunistas.

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Saldo presidencial

Também Marcelo Rebelo de Sousa tinha recebido, este verão, um cartão amarelo (passou de 60 pontos de saldo positivo, em maio, para 37, em julho). Mas, entrados no outono, o seu caminho separa-se definitivamente do de Costa (na política como na popularidade). Tem nesta altura os mesmos 55% de avaliações positivas de há quatro meses, contra 21% de negativas (mais três pontos), o que lhe garante um saldo positivo de 34 pontos percentuais.

Uma valoração que aconteceu quando os portugueses já tinham plena consciência de que iria dissolver a Assembleia da República e convocar eleições antecipadas (o trabalho de campo do barómetro decorreu entre 28 e 31 de outubro). E que faz do presidente o único líder político verdadeiramente popular (tal como Costa, todos os principais líderes partidários têm nesta altura um saldo negativo).

Lisboa faz a diferença

Quando se analisam os diferentes segmentos da amostra, percebe-se melhor que outras diferenças há entre Marcelo e Costa. O presidente mantém saldo positivo em todos os grupos etários e, ao contrário do primeiro-ministro, os mais velhos já não têm o peso de outras alturas. A sua popularidade é aliás maior nos dois escalões mais jovens. Ao nível regional, é Lisboa que faz a diferença: dois terços dão-lhe nota positiva, em espelho com o Porto, onde tem o seu pior resultado (tal como Costa).

No que diz respeito às preferências partidárias, percebe-se que os eleitores socialistas não levaram a mal o uso da "bomba atómica", que terá como consequência o fim do atual Governo. Talvez acreditem, como muitos analistas, que Costa desejava eleições. Assim volta a ser entre quem vota no PS que Marcelo tem maior popularidade (saldo positivo de 47 pontos), bem acima do eleitorado social-democrata (saldo de 35 pontos). O presidente só fica no vermelho entre os eleitores comunistas, liberais e radicais do Chega.

Não há dúvidas sobre o político em quem os portugueses mais confiam, quando está em causa escolher entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa: o presidente vale exatamente quatro vezes mais (52%) do que o primeiro-ministro (13%). Onde essa preferência é mais clara é entre os eleitores do PSD, com 79%, mas também entre os que preferem a Iniciativa Liberal (em ambos os casos, o presidente leva uma vantagem de 73 pontos). O atual primeiro-ministro perde inclusive entre os seus: os que votam PS confiam mais em Marcelo (35%) do que em Costa (28%). Só mesmo os comunistas quebram a unanimidade presidencial.

Sete em cada dez portugueses pedem ao presidente que seja mais exigente com o Governo. Um valor que se mantém estável quase desde o início desta série de barómetros (o valor mais baixo foi mesmo no arranque, em julho de 2020, e mesmo assim foram 62%). No entanto, e desta vez, há uma categoria que entende o contrário, que o presidente não deve ser mais exigente com o Governo: precisamente os eleitores socialistas (49%). Como é habitual, é entre os eleitores do Chega, Iniciativa Liberal e PSD que mais se pede exigência.

A exemplo de António Costa, também o Governo no seu conjunto obtém, pela primeira vez desde o início desta série de barómetros, saldo negativo na avaliação dos portugueses. Também como é habitual, o coletivo de ministros está alguns degraus abaixo do seu líder, pelo que regista 11 pontos de saldo negativo. O melhor momento do Governo tinha sido em abril passado, quando registou um saldo positivo de 33 pontos.

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