"Operação Miríade"

Costa diz que ministro da Defesa não o informou sobre caso dos diamantes

Costa diz que ministro da Defesa não o informou sobre caso dos diamantes

O primeiro-ministro revelou, esta quarta-feira, que não foi informado pelo ministro da Defesa sobre as suspeitas de tráfico de diamantes e droga que recaem sobre militares portugueses. "A mim não me informou de certeza", afirmou António Costa, justificando o facto de ele próprio não ter colocado o presidente da República a par das investigações.

Na véspera, Marcelo Rebelo de Sousa tinha dito, em Cabo Verde, que o Governo não o informou sobre o caso. Uma situação que o primeiro-ministro vem agora confirmar: "É indiscutível o que o senhor presidente da República disse. Eu não o informei porque também não estava informado", referiu.

De visita à Alemanha, onde reúne com a atual chanceler do país, Angela Merkel, e com o vencedor das recentes eleições federais, Costa referiu que o assunto "terá de ser devido tratado", embora "no sítio próprio", ou seja, depois de regressar a Portugal.

Questionado diretamente pelos jornalistas sobre se o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, o tinha colocado a par das investigações feitas aos militares em missão na República Centro-Africana, o primeiro-ministro foi taxativo: "A mim não me informou de certeza, isso é muito claro".

Sobre a eventualidade de esta falha de comunicação vir a beliscar as relações entre Governo e presidente da República, António Costa respondeu que terá de ser Marcelo a "dizer qual é a avaliação que tem a fazer sobre a matéria".

"A única coisa que posso confirmar é que, efetivamente, eu não informei o senhor presidente da República pelo simples facto de que também não estava informado dessas ocorrências", acrescentou o primeiro-ministro.

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Na terça-feira, Marcelo Rebelo de Sousa tinha afirmado que Gomes Cravinho entendeu, "na base de pareceres jurídicos", não o informar sobre as investigações em curso. O ministro terá optado por apenas dar o conhecimento desse facto às Nações Unidas, responsáveis pela missão que Portugal integra na República Centro-Africana.

Esta segunda-feira, foi tornado público que alguns militares portugueses destacados para esse país africano são suspeitos de atuar como "correio" em negócios de tráfico de diamantes, ouro e droga. Há, até ao momento, 11 arguidos.

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