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Costa diz que UE não deve isolar-se e propõe agenda global para oceanos

Costa diz que UE não deve isolar-se e propõe agenda global para oceanos

António Costa defendeu este domingo que "a União Europeia (UE) não deve isolar-se", e adiantou que a presidência portuguesa da UE irá propor que seja trabalhada uma "agenda global para os oceanos 2050". Defendeu ainda que o debate sobre o futuro da Europa se centre "nas vontades plurais dos europeus e não em negociações entre estados" e alertou para o risco de "paralisia de todos pela falta de vontade de alguns".

Na abertura oficial da conferência sobre o futuro da Europa, em Estrasburgo, o primeiro-ministro de Portugal, que assume a presidência rotativa do Conselho da UE, usou o poeta Luís Vaz de Camões como fio condutor da sua intervenção.

Partindo da citação de que "todo o mundo é composto de mudança", António Costa defendeu que a União Europeia não está sozinha no mundo e não deve isolar-se". Deve sim "mudar para conseguir acompanhar o mundo". E deve também "manter a sua autonomia estratégica, que deve ser uma autonomia de uma Europa aberta ao mundo", diversificando os parceiros e apostando no multilateralismo.

O primeiro-ministro português alertou depois que a UE deve "assumir a liderança nas grandes causas da humanidade no nosso século" e, "se quer ser um ator global, não pode confinar-se à sua dimensão continental". Neste contexto, adiantou que "a presidência portuguesa irá propor que a UE trabalhe numa agenda global para os oceanos 2050".

Modelo social único

"Outros deram prioridade à lua ou a Marte, mas a Europa tem que abraçar os oceanos como uma causa e como missão para a próxima década", apelou Costa, notando que os oceanos são "um património comum da humanidade, o regulador mais importante do clima, precisam urgentemente de proteção e são um recurso de biodiversidade". Mas, apesar de cobrirem a maior parte do nosso planeta, continuam "a ser um grande desconhecido".

Além disso, Costa defendeu que, "mais do que uma moeda única, um mercado interno ou uma união aduaneira, a Europa foi, é e terá de ser uma comunidade de valores, e um espaço com um modelo social único no mundo, garante de proteção e igualdade de oportunidades para todos". E "este é um ponto sem concessões nem exceções".

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Não iludir dificuldades

Após ter alertado para os "problemas que minam a nossa coesão", o governante português que assume a presidência europeia avisou que, "se queremos ter sucesso, não podemos iludir as dificuldades".

"Esta conferência é uma oportunidade de assumirmos com total franqueza e abertura que hoje já não pensamos todos como pensávamos e que novos tempos exigem novas vontades", referiu Costa, citando novamente Camões. Defendeu que a conferência inaugurada este domingo "deve centrar-se no debate das vontades plurais dos cidadãos da Europa e não em negociações entre estados".

Paralisia de todos por falta de vontade de alguns

No Dia da Europa, fez ainda questão de sublinhar que "o Tratado de Lisboa teve o cuidado de proporcionar a necessária flexibilidade, através das cláusulas 'passerelle' e de mecanismos de cooperação reforçadas", de modo a que a Europa não seja confrontada com "a opção dramática entre a paralisia de todos por falta de vontade de alguns ou a rutura destes com os que querem ir mais longe ou mais rapidamente".

Estas declarações surgem quando a Comissão Europeia está a realizar conversas bilaterais com os estados-membros para apressar a entrega dos planos de recuperação e resiliência ainda em falta. O vice-presidente executivo Valdis Dombrovskis explicou sábado que 14 dos 27 estados-membros já tinham enviado os seus planos, incluindo Portugal.

Costa destacou também que é necessário preservar a identidade da UE "com novas qualidades". A Europa começou "há 71 anos no carvão e no aço", mas agora "tem de recomeçar no verde e no digital, os motores dos planos de recuperação para o futuro".

Próximas gerações, em vez dos postos de topo

Colocando ênfase nos cidadãos, que devem ser agentes da mudança e não meros espetadores, o governante recorreu depois a mais uma estrofe de Camões: "Muda-se o ser, muda-se a confiança". Isto para citar um inquérito do Eurobarómetro, segundo o qual a resposta à crise pandémica "colocou a UE num nível máximo de confiança dos seus cidadãos".

"Desta vez, a preocupação da UE de tomar conta dos seus cidadãos foi muito clara. Desta vez, os cidadãos europeus não se sentiram abandonados à sua sorte e viram-se considerados como iguais", defendeu Costa. E deixou outro apelo: "devemos pensar nas próximas gerações e não nas próximas reuniões, nos próximos postos de topo ou nos próximos tratados".

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