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Costa e Montenegro trocam acusações em encontros com militantes

Costa e Montenegro trocam acusações em encontros com militantes

O fim de semana ficou marcado pela troca de acusações entre o secretário-geral do PS, António Costa, e o presidente do PSD, Luís Montenegro, em encontros com militantes e autarcas de todo o país.

O líder social-democrata acusou o opositor político de estar "cansado de ser primeiro-ministro" e estabeleceu como meta uma maioria do PSD nas próximas eleições. Costa voltou a pedir "nervos de aço" para impedir que os social-democratas perturbem a estabilidade governativa.

A propósito do comentário de António Costa de que os adversários não perdoam o PS por ter tido maioria absoluta, Montenegro contra-atacou. "Não fui eu que mandei um ministro [Pedro Nuno Santos] publicar um despacho contra um compromisso público do primeiro-ministro. E depois não se demitiu, nem foi demitido", disse, na sessão de encerramento da Academia do Poder Local, na Foz do Arelho, Caldas da Rainha.

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"Não fui eu que disse à ministra da Presidência [Mariana Vieira da Silva] que fosse à Serra da Estrela dizer que agora que ardeu quase tudo é que vai ficar melhor, ou ao ministro da Educação [João Costa] para dizer que era bom que só houvesse 60 mil alunos sem uma disciplina, porque pensava que fossem 100 mil", ironizou o presidente do PSD. "O dr. António Costa tem de se queixar de si próprio, da sua incapacidade de liderança e de estar cansado de ser primeiro-ministro."

Tempos difíceis

Durante o encerramento do Congresso Federativo do PS/Castelo Branco, na Covilhã, que decorreu no sábado, o líder socialista admitiu que os tempos são "mais difíceis" do que se antecipava à data das eleições e disse que não depende do Governo a Rússia acabar com a guerra ou "fixar por decreto o preço do gás e do petróleo no mercado internacional".

"Mas em tudo o que depender de nós para enfrentarmos esta crise, podem contar connosco. Temos de estar mobilizados a 100% para vencer esta crise e cumprir esta legislatura, honrando os nossos compromissos", afirmou o secretário-geral do PS. "A nossa missão é manter nervos de aço, respeitar os nossos adversários, perceber que a maioria significa respeito e diálogo, mas também o respeito pela vontade de quem nos elegeu." Promete, por isso, cumprir a "agenda reformista e progressista" aprovada pelos eleitores.

Descentralização em causa

Montenegro acusou ainda o executivo socialista de não honrar os compromissos relativos à descentralização. "O acordo que o Governo assinou com os autarcas equivale àquilo que faz com o Orçamento do Estado: papel, ideias, powerpoints, objetivos, intenções, e execução zero ou perto de zero", denunciou. "Este Governo e este primeiro-ministro têm uma característica: a palavra dada não é uma palavra honrada."

"Este poder socialista não quer partilhar as competências com os municípios, nem com as comunidades intermunicipais", sublinhou o líder social-democrata. "O Partido Socialista quer o Estado para si próprio. Cada vez mais em Portugal, Partido Socialista e Estado são a mesma coisa." Montenegro criticou também o Governo por "não respeitar as autarquias locais", ao recusar-se a pagar as despesas relativas à criação de locais de testagem, planos de contingência, hospitais de campanha e distribuição de equipamentos, durante a pandemia.

"Estamos a construir uma alternativa de Governo, a alicerçar as nossas equipas e ideias, para termos um plano de transformação de Portugal, que não olhe para o dia seguinte, mas para a década seguinte", prometeu o líder da oposição. "O dr. António Costa tem o conceito de poucochinho. Nisso é coerente. Tem um horizonte muito curto, mas é o dele."

Quanto ao Orçamento do Estado, Montenegro disse que "não tem emenda para ser um bom orçamento, mas pode ter uma ou outra alteração para minorar os efeitos negativos". Contudo, esclareceu que o PSD não está disponível para rever "um ou dois aspetos", mas para discutir assuntos importantes, para alavancar o país.

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