Debate

Costa "frustrado" com fim da geringonça, Marcelo tenta salvar OE até "ao último segundo"

Costa "frustrado" com fim da geringonça, Marcelo tenta salvar OE até "ao último segundo"

O PSD Madeira abriu a porta a negociações com António Costa, mas Rui Rio garante que os três votos dos deputados madeirenses não estão "à venda". Ferro vai na quarta-feira a Belém revelar a posição dos partidos face à data das possíveis eleições antecipadas.

O primeiro-ministro assumiu esta terça-feira, no Parlamento, que sentirá uma "enorme frustração" caso a geringonça chegue ao fim e o Orçamento do Estado (OE) seja chumbado na votação de quarta-feira. António Costa diz querer evitar eleições antecipadas, mas revelou que não se demite e que, se o país for a votos, será ele o candidato do PS. Entretanto, o presidente da República ainda não desistiu de ver o OE viabilizado e assumiu ter feito "diligências" para ver se é possível "chegar-se a um entendimento"- embora sem revelar se incluiu nestes contactos o PSD Madeira, que hoje abriu a porta à negociação. Caso os três deputados do PSD Madeira votem a favor e Costa convença as atuais cinco abstenções (PAN e as duas deputadas não inscritas), terá os votos necessários para aprovar o OE (116 contra 114).

Hoje, houve sinais de que poderá haver caminho para essa solução, caso Costa o queira: por um lado, o PAN acusou BE e PCP de "irresponsabilidade" e de estarem a "escancarar a porta a quem quer matar a democracia", disponibilizando-se para fazer "pontes"; por outro, o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, também alimentou essa hipótese: "Sempre disse que em primeiro lugar está a Madeira. Se eventualmente precisarem de nós, sabem onde eu estou", referiu. Até ao fecho desta edição, não tinha havido qualquer contacto com o PSD Madeira, apurou o JN. O caderno de encargos é extenso.

O líder do PSD, Rui Rio, desvalorizou esse cenário, garantindo que os três votos não estão "à venda". "A informação que tenho é de que os deputados da Madeira estão perfeitamente solidários com a decisão unânime da Comissão Política Nacional. A própria Comissão Política Regional decidiu o voto contra um OE que é muito mau para o país e também para a Madeira", afirmou no Parlamento.

Perante a ameaça de chumbo, o presidente da República assumiu que tem estado nos bastidores a tentar encontrar soluções. "Até ao momento do começo de debate, ainda fiz diligências complementares para ver se era possível chegar-se a um entendimento", revelou Marcelo Rebelo de Sousa, em Lisboa. Não adiantou quem foram os seus interlocutores, mas referiu que poderá haver novidades "até ao último segundo" antes da votação na generalidade. "Sinto que fiz o que tinha a fazer", acrescentou.

"Tudo faremos para obter um acordo, mas não o podemos fazer a qualquer preço", disse o primeiro-ministro na sua intervenção, onde procurou convencer BE e PCP que "ainda há estrada para andar", abrindo a porta a mais mudanças na especialidade. Admitiu duas vezes vir a governar em duodécimos - hipótese que Marcelo rejeita - e foi claro quanto ao seu futuro: "O meu dever não é virar as costas num momento de dificuldades, é enfrentar as dificuldades. Por isso, não me demito".

PUB

Eleições são "a escolha errada"

Se Costa não cede, o BE também não. "Se amanhã não tiver um OE aprovado, é porque António Costa não quer. Rejeitou todas as nove medidas propostas pelo BE, sem explicar ao país porquê", disse a líder Catarina Martins. "Fez a sua escolha, mas ir para eleições é a escolha errada", alertou.

A bloquista exigiu na reposição das indemnizações em caso de despedimento (30 dias de salário por ano de trabalho como era antes da "troika"). Além disso, vincou que no OE faltam "incentivos claros à opção dos médicos e dos restantes trabalhadores pelo SNS" e insistiu na eliminação do corte do fator de sustentabilidade nas reformas e legislação laboral que combata a precariedade.

Já o PCP não abdica de ver o salário mínimo subir para 850 euros já em 2022. "Não há futuro para um país baseado em baixos salários", frisou Jerónimo de Sousa. Os comunistas também não prescindem de "recuperar controlo da produção de energia e dos CTT", inclusive como forma de combater a pobreza energética. O líder do PCP elencou ainda as necessidades do SNS, o acesso à habitação, as pensões e as creches gratuitas como "necessidades evidentes para que o défice demográfico seja enfrentado".

Durante o debate, e a pedido do chefe de Estado, o presidente da Assembleia da República foi ouvindo os líderes partidários sobre o eventual calendário das legislativas, caso venham a ter lugar. Hoje, Ferro Rodrigues reúne com Marcelo - que, recentemente, apontou a possível ida às urnas para janeiro.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG