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Costa mostra abertura para reavivar "geringonça": "Espero não caminhar sozinho"

Costa mostra abertura para reavivar "geringonça": "Espero não caminhar sozinho"

O debate ainda ia na fase das perguntas iniciais e já o primeiro-ministro tinha "cortejado" por três vezes os partidos à esquerda do PSD, no sentido de mostrar abertura para uma espécie de nova "geringonça". António Costa vem, assim, demonstrar que a reedição da solução política encontrada na última legislatura ainda não está completamente posta de parte.

Costa abordou essa possibilidade pela primeira vez logo na declaração inicial. O primeiro-ministro considerou que o novo Executivo "apresenta uma linha de continuidade face à solução política dos últimos anos", assegurou que "o empenho do Governo nesse processo continua exatamente o mesmo" e mostrou abertura para conversar "sem discriminações com todos aqueles que à Esquerda, e também o PAN, queiram colaborar connosco para garantir estabilidade e continuar a melhorar a vida dos portugueses".

A segunda referência a novos acordos aconteceu em resposta à interpelação de Catarina Martins, que lançou algumas críticas (mas também elogios) ao Governo nas áreas do Trabalho, da Saúde e do Ambiente. Costa notou o tom brando da líder do BE e retorquiu: "ainda bem que convergimos, senhora deputada". Depois disso, revelou não ter dúvidas de que "quem votou no BE votou para dar continuidade" à solução governativa encontrada na última legislatura.

Se estas duas referências elogiosas de Costa à "geringonça" já tinham sido evidentes, a terceira foi-o tanto ou mais. Em resposta a Jerónimo de Sousa, que acusou o Governo de falta de compromisso em temáticas como a Saúde, os Transportes Públicos e a Natalidade, o primeiro-ministro lembrou uma frase que o secretário-geral do PCP costuma utilizar - "enquanto houver caminho para andar, cá estaremos" -, disse esperar que o líder comunista continue a pensar assim e concluiu: "cá estou eu, e espero não caminhar sozinho".

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José Luís Ferreira, deputado do PEV, não deixou passar as referências em claro e respondeu ao repto lançado por António Costa: "Enquanto houver estrada para andar os Verdes também cá estarão, desde que a estrada seja o caminho certo". O primeiro-ministro retorquiu: "se gosta do caminho que iniciámos em 2015, é esse o caminho". "Se estamos de acordo com tudo isto, então só há uma coisa a fazer: começarmos a caminhar", rematou.

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