Covid-19

Costa: "O pior que podia acontecer era juntar uma crise sanitária a uma crise económica"

Costa: "O pior que podia acontecer era juntar uma crise sanitária a uma crise económica"

O primeiro-ministro, António Costa, considerou esta terça-feira que todos os países europeus têm de se empenhar coletivamente para evitar que uma crise económica se junte à crise sanitária do novo coronavírus.

Em declarações aos jornalistas após a videochamada de quase três horas com todos os membros do Conselho Europeu para acompanhamento e articulação de respostas a nível europeu ao Covid-19, António Costa adiantou que expressou aos líderes europeus que a adoção de medidas para combate ao novo coronavírus deve ter a "garantia de que não há reversão de políticas".

"Essa foi aliás uma questão que eu expressamente coloquei, que não podia haver qualquer risco de se repetir o que aconteceu em 2009, [em] que houve a decisão de tomar medidas para aumentar o investimento público para fazer face ao risco de recessão e depois, dois anos depois, houve uma revisão de políticas", afirmou.

Na perspetiva do primeiro-ministro, "o pior que podia acontecer é juntar a uma crise sanitária agora também uma crise económica", considerando que todos têm de se "empenhar coletivamente para evitar" que isto aconteça.

"Aquilo que é o espírito muito claro é que temos de adotar todas as medidas, quer para a existência de linhas de crédito com garantias de Estado, quer a criação de condições para que as empresas possam renegociar com a banca empréstimos e poder haver uma moratória nos seus pagamentos, quer as medidas que já propusemos relativamente a poder haver adiamento de pagamentos ao Estado de forma a aumentar a liquidez, de acelerarmos os processos de contratação pública para conseguirmos ajudar a fomentar o investimento e também a liquidez das empresas", elencou.

António Costa deixou claro que, na perspetiva de Portugal, "a adoção destas medidas tem a garantia de que não há reversão de políticas a seguir".

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"E, portanto, as medidas são adotadas agora, tendo em face aquilo que é a prioridade máxima que todos temos de fazer de responder a este surto epidémico e, por outro lado, de controlar e evitar a contaminação da economia, a destruição de emprego, a destruição de empresas e evitar um risco de uma nova recessão à escala europeia", enfatizou.

Segundo o chefe do executivo, "houve um acordo de toda a gente" e para o Governo português é "absolutamente claro".

"E espero que fique retido na memória de todos para que daqui a dois anos ninguém venha a dizer que se fez mais do aquilo que se devia fazer", declarou, adiantando que se vai "fazer aquilo que foi acordado fazer e a Comissão irá propor na próxima sexta-feira um conjunto de medidas que serão aprovadas pelo Eurogrupo na próxima segunda-feira".

António Costa começou a conferência de imprensa por detalhar as quatro prioridades nas quais os líderes europeus esta terça-feira acordaram concentrar os seus esforços para fazer face ao novo coronavírus.

"Não está previsto orçamento retificativo"

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou esta terça-feira não estar previsto qualquer orçamento retificativo na sequência do novo coronavírus, considerando esta crise "um bom exemplo" de que convém ter uma "política orçamental prudente".

"Não está previsto nenhum orçamento retificativo, mas está aqui também um bom exemplo de que quando o Governo disse que precisamos ter uma política orçamental prudente, que nunca corra o risco de dar um passo maior do que a perna e que o ter a previsão de um excedente orçamental é aliás a melhor garantia de uma execução tranquila desse orçamento ao longo do ano é porque nós todos temos que imaginar, em abstrato, que em qualquer momento podem surgir factos imprevistos que alteram a situação", respondeu aos jornalistas quando questionado sobre a necessidade de um orçamento retificativo devido ao novo coronavírus.

Quando o Governo apresentou o Orçamento do Estado para 2020, lembrou António Costa, "ninguém tinha seguramente a ideia de que íamos ter uma crise como esta do coronavírus".

"Se não a tivéssemos tido, seguramente a trajetória de execução das previsões económicas estariam mais próximas daquilo que foi a previsão do quadro macroeconómico que apresentamos na altura. Seguramente agora a evolução económica não ficará imune a esta crise", admitiu.

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