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Costa quer "escrever uma página de prosperidade" e pisca o olho "à Esquerda e ao PAN"

Costa quer "escrever uma página de prosperidade" e pisca o olho "à Esquerda e ao PAN"

Este é um Governo apostado num "círculo virtuoso" que "estimula a iniciativa, apoia o empreendedorismo e incentiva o investimento", garantiu esta quarta-feira o primeiro-ministro, na abertura do debate do programa do Governo.

Para a atual legislatura, António Costa promete "a melhoria dos rendimentos" dos portugueses, "a recuperação dos serviços públicos, a redução da dívida pública" e "a redução das desigualdades", mas "sempre com contas certas".

Apesar de reforçar que cumpriu "nos últimos quatro anos", o primeiro ministro disse querer ir mais além: "Sabemos que não nos basta mais do mesmo e que temos, agora, de fazer mais e melhor - ainda mais crescimento, ainda melhor emprego, ainda maior igualdade... e sempre com contas certas".

"Queremos continuar com confiança o percurso que iniciámos em 2015, abrindo caminho quando ele se estreita, vencendo obstáculos quando estes surgem, mas mantendo sempre o rumo que traçámos, com passo firme e seguro, para ir mais longe no trilho que temos vindo a percorrer, e sem nunca dar um passo maior do que a perna".

Dar a mão "à Esquerda e ao PAN"

António Costa mostrou-se disponível para trabalhar "sem discriminações, com todos aqueles que à esquerda, e também o PAN, queiram colaborar connosco para garantir estabilidade e continuar a melhorar a vida dos portugueses". Para isso, acena com propostas como a promoção de "um mercado de arrendamento equilibrado, acessível e seguro para todos" através de uma oferta pública de 10.000 habitações até ao fim da legislatura, a melhoria da dignidade do trabalho através da "subida da generalidade dos salários" ou o aumento progressivo das deduções fiscais no IRS em função do número de filhos.

Os momentos de maior turbulência ocorreram na altura em que o primeiro-ministro anunciava o aumento do investimento nos transportes públicos e no Serviço Nacional de Saúde (SNS), dois setores que a oposição considera estarem em rutura. A bancada da Direita reagiu às promessas de Costa com manifestações de desagrado, que não ficaram sem resposta por parte do líder do Governo: "quanto mais reagirem, mais os cidadãos percebem a importância destas mudanças", atirou António Costa.

Ultrapassado o primeiro despique da legislatura entre Governo e oposição, o primeiro ministro prometeu a compra de 700 novos autocarros para aumentar a frota dos transportes públicos, bem como 22 novos comboios para a CP, 14 novas composições para o Metro de Lisboa, 18 para o Metro do Porto e a implementação de um plano de recuperação do material circulante.

Na saúde, Costa anunciou o aumento do investimento de 2.000 milhões de euros por ano no SNS, a implementação de um cheque-dentista para as crianças a partir dos dois anos e um vale de óculos para jovens até aos 18 anos e para maiores de 65 anos que sejam beneficiários do Rendimento Social de Inserção. Lembrou também que os novos hospitais de Lisboa Oriental, Central do Alentejo, de Sintra e do Seixal estarão prontos até ao final da legislatura, em 2023 - o que, considerou, vai melhorar a rede do SNS.

António Costa considerou ainda que "não é de ruturas ou de míticas 'reformas estruturais' que o país precisa", mas sim de uma "melhoria da qualidade dos serviços prestados aos cidadãos". "Modernizar o Estado", "rejuvenescer a função pública" e dar continuidade a uma "agenda de simplificação administrativa" são, assim, outras das medidas que o Executivo espera cumprir na atual legislatura.