Política

Costa recusa aproximação de Rio e vai continuar a dialogar à Esquerda

Costa recusa aproximação de Rio e vai continuar a dialogar à Esquerda

O primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Costa, disse não estar interessado em aproximar-se do PSD, fazendo cair por terra as esperanças que o líder social-democrata, Rui Rio tinha manifestado na quarta-feira. Costa entende não existir "nenhuma razão" para deixar de negociar com a Esquerda e juntar-se a um PSD "complacente" com o Chega.

"A orientação política que temos é muito clara", referiu o governante, esta quinta-feira, após entregar a moção de estratégia que vai levar ao Congresso do PS, em julho.

"O nosso caminho é distinto do do PSD e é bom para o país que haja dois caminhos distintos: quem acredita que é melhorando rendimentos que progredimos e quem entende que deve ser congelando o salário mínimo que devemos prosseguir", afirmou, na sede do PS no Largo do Rato, em Lisboa.

Classificando a convenção do Movimento Europa e Liberdade (MEL) - onde Rio e os líderes de CDS, Chega e IL discursaram - como "uma feira de vaidades" onde a Direita apenas discutiu "coisas abstratas", Costa acusou Rio de ser "complacente" com o partido de André Ventura.

Para o chefe do Governo, o PSD tem-se "deixado aprisionar e contaminar pela agenda do Chega", o que também contribui para inviabilizar qualquer aproximação entre os dois maiores partidos portugueses. "Isso é que é perigoso, isso é que enfraquece a alternativa do PSD", defendeu.

Diálogo à Esquerda teve "sucesso" e é para manter

A estratégia de Costa passa, portanto, por prosseguir "as políticas que iniciámos em novembro de 2015", data da criação da "geringonça". Vincando o "sucesso" do diálogo à Esquerda, reiterou: "É o caminho que temos seguido e não há nenhuma razão para mudarmos de caminho".

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O primeiro-ministro salientou também a importância do Plano de Recuperação e Resiliência, a que chamou "trampolim". Referindo-se à transição digital e ao combate às alterações climáticas como os "dois motores da recuperação económica", deixou claro, uma vez mais, que há muito a separá-lo de Rio.

"Toda a política do PSD não tem nada a ver com isto", resumiu Costa. "Há um mundo que nos separa, o que é muito bom".

Também esta tarde foi entregue no Largo do Rato a moção de Daniel Adrião, que disputa a liderança do PS contra Costa, pela terceira vez.

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