Plano de recuperação

Costa Silva quer Portugal a lutar em todas as frentes para ser mais independente

Costa Silva quer Portugal a lutar em todas as frentes para ser mais independente

O plano para, em dez anos, dar a volta à crise económica causada pela pandemia em Portugal, elaborado pelo gestor nomeado pelo Governo António Costa Silva, é uma visão ambiciosa que coloca o país a dar cartas em várias frentes, fomentando a produtividade e o investimento. O plano de recuperação vai ser apresentado em outubro.

"Explorar simultaneamente a relação com o continente europeu e a relação marítima com o mundo" será essencial para conseguir um lugar ao sol, constatou António Costa Silva, esta terça-feira, na apresentação da "Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030", horas depois de os líderes europeus terem chegado a acordo sobre a retoma da economia comunitária pós-crise, com um pacote total de 1,82 milhões de milhões de euros. Investir na ferrovia, criando uma rede de ligação a Espanha e à Europa, transformar os portos marítimos em grandes plataformas, visando o desenvolvimento da "economia azul", e modernizar a frota de pescas são exemplos do que considera "crucial" para defender o país no futuro.

Para António Costa Silva, gestor nomeado pelo Governo para elaborar um plano para a retoma económica, a crise causada pela pandemia veio pôr a descoberto o "excesso de dependência industrial dos países asiáticos", pelo que defende a "reindustrialização" do país e do continente, não numa ótica de regresso ao passado, mas de salvaguarda do futuro. Portugal tem de criar "um centro de resiliência" capaz de lidar, não só com as próximas pandemias, mas também com as próximas crises de várias ordens (sísmicas, climáticas, ciberterroristas).

"Temos de deixar de ser uma civilização que transforma recursos em lixo para passar a transformar lixo em recursos", acresentou Costa Silva, lembrando que 35% do território nacional está coberto por floresta e que Portugal produz, anualmente, seis a sete milhões de resíduos florestais. "Podemos transformá-los em calor, eletricidade e mesmo em hidrogénio", disse Costa Silva, defendendo a criação de centrais de hidromassa no interior do país, para valorizar os lixos florestais. "Não podemos negociar com a natureza".

Ainda no panorama ambiental, estabeleceu como meta, até 2030, diminuir em 40% o consumo de carvão, em 15% o de petróleo e aumentar em 40% o consumo de energias renováveis. "Estamos nesse caminho, mas podemos acelerar", considerou, falando ainda na necessidade de estimular a produção de minerais estratégicos, "vitais para a transição energética e para a indústria eletrónica de alta precisão", cujo domínio pertence à China. É também altura de pensar em construir cidades inteligentes, "com mais baixos custo de contexto e eficazes no seu funcionamento".

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Siza Vieira: verbas de Bruxelas não devem ser só "estímulo imediato"

Os 45 mil milhões de euros em subsídios que Portugal vai receber nos próximos sete anos - verba que inclui o orçamento da União Europeia e o Plano de Recuperação - vão dar margem de manobra ao plano pensado pelo gestor, mas não devem ser só "um estímulo imediato", diz o ministro da Economia. Siza Vieira diz que os apoios devem servir para "investir nas fundações do país que queremos ser na próxima década", porque "desta vez, a resposta à crise tem e deve ser diferente, tem de mitigar os efeitos e acelerar o crescimento".

"Precisamos de uma conversa sobre esta visão estratégica. Isso ajuda a consolidar ideias, acelerar tendências ou a descartar opções. E essa conversa começa agora", sublinhou o governante, adiantando que o primeiro esboço do plano de recuperação, a que o documento de Costa Silva servirá de base, deverá ser apresentado em outubro.

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