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Reunião MEL

Cotrim faz reparos a Rio e Ventura e quer "desatar" os "nós" dados pelo PS

Cotrim faz reparos a Rio e Ventura e quer "desatar" os "nós" dados pelo PS

O presidente da Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim Figueiredo, discursou esta terça-feira na convenção do Movimento Europa e Liberdade (MEL). A estagnação económica, o "desalento social", a "desresponsabilização" e a falta de visão de futuro são os "quatro nós" do país que o deputado quer "desatar". O grande alvo foi o PS, mas também houve reparos a Rio e Ventura.

No Centro de Congressos de Lisboa, Cotrim Figueiredo acusou o PS de ser o grande responsável pela insuficiência de Portugal nesses quatro vetores. No entanto, apesar de uma das bandeiras da cimeira do MEL ser a promoção de aproximações à Direita, o líder da IL lançou algumas críticas ao presidente do PSD, Rui Rio, e a André Ventura, do Chega. Ambos discursarão na quarta-feira.

Lembrando que Rio afirmou, recentemente, que o Novo Banco deveria ter ficado na posse do Estado, Cotrim Figueiredo atirou: "Tem de ter a consciência de que está a fazer o discurso do PCP e do BE, que tudo querem nacionalizar".

O deputado também lembrou episódios de aproximação do PSD ao PS, como o fim dos debates quinzenais, o modelo das eleições nas CCDR, a abstenção no Orçamento Suplementar ou a tentativa de alterar as regras para as candidaturas autárquicas independentes. Em todos esses temas, considerou que o PSD fez "o jogo" da Esquerda. "Para isso, não contem connosco", atirou.

Já sobre o Chega, Cotrim não mencionou nem o partido de extrema-direita nem o nome do líder, André Ventura. Contudo, alertou contra os "populismos", a promoção de "homens providenciais" e o surgimento de "visões autoritárias divisivas". A IL nunca apoiará "visões não liberais da sociedade", garantiu.

Primeiro "nó": crescer e só depois subir salários

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O líder e deputado da IL culpou o PS pela "estagnação" e "retrocesso" da economia portuguesa, o primeiro dos quatro "nós" a que aludiu. Para Cotrim, o fraco crescimento e a baixa produtividade do país têm a marca dos socialistas - que, lembrou, estiveram no poder em 18 dos últimos 25 anos.

"Deixámos de crescer e isto devia ser o principal motivo de preocupação de todos nós", afirmou o liberal, recordando que a economia nacional já foi ultrapassada por Malta e por vários países de Leste. "Sem crescimento económico, boa parte dos problemas não terão solução", referiu. Só depois, argumentou, os salários poderão crescer e sair "da liga dos últimos".

Para Cotrim, o Governo "prepara-se para se agarrar a uma tábua de salvação chamada 'bazuca'", que disse acentuar "a dependência face à UE" e ter sido negociada "nas costas dos portugueses". O deputado criticou as "prioridades erradas" do Plano de Recuperação e Resiliência, devido à "insistência no investimento público".

Segundo "nó": país está "refém" do PS

O segundo "nó" a que o líder da IL fez referência foi o do "desalento social". Cotrim entende que a sociedade está "adormecida, receosa e sem iniciativa", em parte porque o "elevador social" deixou de funcionar. O Estado está "refém dos interesses de um único partido", considerou: em Portugal, há "a sensação de que o PS em tudo manda".

O deputado exemplificou com a "obsessão" do Governo contra os rankings das escolas, o "atraso na aprendizagem" que a pandemia acentuou, a ida de Mário Centeno para o Banco de Portugal, a substituição do presidente do Tribunal de Contas e da procuradora-geral da República ou a promoção de "'boys' sem currículo" para a chefia da Segurança Social. E quem discorda do rumo do país "começa a sentir medo" de "dar a cara", acredita.

Terceiro "nó": há ministros que "aldrabam"

Existe uma "cultura de desresponsabilização" no país e o Governo é "o primeiro a dar este péssimo exemplo", entende o líder da IL. A título de exemplo, falou de uma ministra da Justiça que "aldraba" processos como o do procurador europeu, de um ministro do Ambiente que "mete os pés pelas mãos" no processo das barragens da EDP ou de um ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, a quem chamou "campeão da inimputabilidade" e que considerou "responsável" pela morte de Ihor Homeniuk.

Cotrim também responsabilizou o Executivo no caso do Novo Banco, lembrando que, ao contrário do que tinha sido dito, "há custos para o contribuinte". Embora tenha esclarecido que não pretende fazer a defesa dos devedores presentes na comissão de inquérito, considerou que estes ganharam protagonismo mediático porque "interessa" ao "discurso de ódio ao lucro" e à "atitude anticapitalista generalizada" promovida pelo BE.

Quarto "nó": Governo limita-se a "navegar à vista"

A finalizar, Cotrim Figueiredo considerou que falta ao país uma "visão a longo prazo" em várias áreas. O dirigente da IL afirmou que o Governo "não tem ideia" de como preparar o país para o pós-pandemia, tanto a nível de cadeias logísticas, alterações tecnológicas e hábitos de consumo como de preparação da resposta às migrações ou a eventuais pandemias futuras.

Também a "ascensão da China e as suas mal disfarçadas ambições", como a Iniciativa do Cinturão e Rota, não merecem a atenção do Executivo "em nenhum documento ou discurso", considerou o deputado. "O Governo não nos prepara para o futuro, não mostra ambição. Tudo é navegar à vista com um único intuito: ganhar as eleições seguintes".

TAP não foi esquecida

Cotrim Figueiredo também criticou a gestão do Governo na TAP, dossier que disse correr o "risco" de se tornar "um problema maior do que o Novo Banco". "O Estado não tem nada que ser dono de uma companhia aérea", argumentou, pedindo que se siga uma lógica de "lucros privados, prejuízos privados".

O deputado afirmou que a transportadora recebeu "mais de metade dos apoios" do que todo o resto da economia, o que considerou ser uma "desproporcionalidade quase imoral". Acusando o Governo de "mentir" quanto ao peso da TAP na economia, sustentou que a empresa "não vale 2% do PIB" e que "é uma grande exportadora, mas também é uma grande importadora".

Cotrim propôs a criação de uma taxa única no IRS - uma das bandeiras da IL - e pediu mais autonomia nas escolas. Também defendeu a descentralização, argumentando que "as decisões tomadas mais próximas pessoas serão mais bem tomadas" e ajudarão a tornar o país "muitíssimo mais transparente".

O último ataque ao Governo foi feito quando o parlamentar denunciou a "narrativa patética" de que a pandemia "corresponde à derrota dos modelos liberais".

"Dizer que os liberais se tornaram estatistas é tão ridículo como eu dizer que o PS se tornou um perigoso partido fascista porque decretou o fecho de fronteiras ou o recolher obrigatório", afirmou. Para Cotrim, esse argumento "só mostra que o PS tem medo da IL".

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