Iniciativa Liberal

Cotrim Figueiredo: "Cargos governativos? Não é um ponto de partida, mas de chegada"

Cotrim Figueiredo: "Cargos governativos? Não é um ponto de partida, mas de chegada"

João Cotrim de Figueiredo quer discutir com o presidente do PSD "políticas e medidas e não cargos". O líder da Iniciativa Liberal (IL) garante não fazer questão de ser "o n.º 2" de Rui Rio num governo de direita, mas, se para tornar Portugal um país mais liberal, for chamado a assumir funções, irá.

"Não vamos discutir cargos. Sei que outros pedem ministérios e até dizem que ministérios são. Nós vamos discutir políticas e vamos pedir medidas, se a aritmética eleitoral a isso proporcionar", afirmou, à margem de uma ação de campanha no porto de pesca da Póvoa de Varzim.

Cotrim de Figueiredo diz que falta ao PSD atual "ímpeto reformista, coragem e determinação para mudar", qualidades que a IL tem. Por isso, está disponível para ajudar, mas um cargo num futuro governo de direita seria sempre "não é um ponto de partida, é um ponto de chegada".

No próximo dia 30, o partido acredita que terá 4,5% dos votos e elegerá cinco deputados "em Lisboa e Porto e talvez Braga, Setúbal e Aveiro".

Voto antecipado: "Governo reagiu tarde"

Já quanto ao voto antecipado, o líder da IL não poupa críticas a António Costa.

"Mais uma vez, o Governo vem tarde", frisa, lembrando que, há um ano, os liberais propuseram que os atos eleitorais se pudessem realizar em mais do que um dia. A proposta, rejeitada pelo PS, nem chegou a ser discutida. Há 15 dias, continuou, voltou a chamar a atenção para o problema dos eleitores em confinamento. "Nada".

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"Agora, basicamente o que vemos é o Governo a tentar sacudir a água do capote, à espera de um parecer da Procuradoria-Geral da República que ninguém sabe muito bem se vai abrir suficientes portas e vamos ter 250 mil a 400 mil pessoas confinadas no dia das eleições, sem possibilidade de exercer o direito de voto", criticou, sem apontar soluções, que deixa "ao governo e aos especialistas".

"Pescas ignoradas"

Na Póvoa de Varzim, Cotrim de Figueiredo foi ao mar numa traineira de pesca artesanal. Vê um setor triplamente vítima: dos regulamentos europeus que ditam possibilidades de captura; de um sistema de venda em lota que não controlam e, finalmente, da falta de uma estratégia nacional para as pescas e para o mar.

"Portugal teve uma primeira estratégia nacional para o mar, que vigorou entre 2013 e 2020. Estamos em 2022 e não há qualquer avaliação do que foi feito: Onde é que foi gasto o dinheiro? Que impacto é que teve? Não se sabe", frisou.

Agora, com a segunda estratégia em curso - 2021/2030 -, "não se sabe exatamente quais são as prioridades": "No Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a pesca estão menos de 2% do que está dedicado ao mar como um todo. [O Governo] parece mais interessado em coisas como o Centro Operacional de Observação no Oceano do que propriamente com as pescas", explicou, para rematar lamentando que uma atividade "importante para o país" esteja "completamente ignorada no meio desta confusão de estratégias que não são avaliadas e de prioridades que não são bem definidas".

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