Financiamento

Covid-19 ameaça reequilíbrio das contas nos hospitais

Covid-19 ameaça reequilíbrio das contas nos hospitais

Com um reforço da dotação inicial de 940 milhões de euros, o orçamento da Saúde 2020 apontava ao equilíbrio das contas, em especial dos hospitais que, pela primeira vez em muitos anos, se preparavam para ter orçamentos ajustados à realidade. A covid-19 e a despesa que lhe está associada terá deitado tudo a perder.

"A pandemia não estava no programa orçamental. Com esta paragem suponho que não haverá grandes condições para manter esta estratégia com sucesso", refere Francisco Ramos. O ex-secretário de Estado da Saúde, que com a atual ministra Marta Temido, desenvolveu um novo modelo de gestão dos hospitais, baseado na autonomia e responsabilidade, que pressupunha orçamentos equilibrados, espera contudo que se mantenha "a estratégia política e o nível de despesa pública próximo do necessário para desenvolver o setor da Saúde".

Cortes podem voltar

As últimas contas da Direção-Geral do Orçamento revelam que a covid-19 teve até abril um impacto de 680 milhões de euros nas contas públicas, sendo a despesa com Saúde (equipamentos de proteção individual, medicamentos e outros) responsável por 82 milhões de euros.

O economista Pedro Pita Barros acredita que este ano e no próximo não haverá cortes na Saúde. "É previsível que haja a capacidade de fazer investimento adicional, mesmo dentro das regras de exceção que foram anunciadas para o enquadramento orçamental a nível da União Europeia", afirma. Mas deixa o aviso: "Se daqui a alguns anos, se não houver cuidado com as contas públicas globalmente, a necessidade de cortes de despesa, incluindo na Saúde, poderão voltar a estar na agenda".

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