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Covid-19. O poder de alterar os modelos matemáticos

Covid-19. O poder de alterar os modelos matemáticos

Quando se analisa o risco de transmissão de uma doença numa população, as organizações de saúde recorrem frequentemente a um número - o número básico de reprodução (R0).

O que mede o número básico de reprodução?

É o número médio de pessoas que uma pessoa infetada irá contagiar numa população não imune (toda a população é suscetível à infeção porque ninguém está imunizado, como é o caso da Covid-19 - não há vacina e nunca ninguém teve exposição anterior) e assumindo que não são implementadas medidas de controlo. É um valor que pode variar de acordo com a população considerada e os seus hábitos.

O que significa?

Se R0 for 2, em média, cada caso vai dar origem a dois novos casos. Sempre que R0 é maior que 1, a infeção vai continuar a alastrar; se for menor que 1, a doença tenderá a desaparecer. Os estudos do novo coronavírus apontaram para um R0 entre 2 e 3.

Mas depois temos o efeito dos nossos comportamentos?

O valor do número efetivo de reprodução (R) varia ao longo do tempo tomando como valor inicial o R0 e depende do novo comportamento assumido pela população - o único fator que o pode controlar significativamente ao início. No fundo, o R efetivo é o R0 ao longo do tempo. Numa fase posterior começa a ser afetado também pela crescente proporção de imunizados, por contacto natural com o vírus ou pela vacinação. Assim, enquanto não houver uma proporção significativa de imunizados, o comportamento é a única coisa que pode efetivamente controlar a propagação da doença.

O que se está a passar agora e como nos devemos comportar?

O que se pretende é que o R efetivo em Portugal seja menor que 1, altura em que o número de novos casos é progressivamente menor - ainda que não esteja disponível nenhuma vacina e o nível de imunidade da nossa população seja baixo. A razão para esta diminuição de R está na mudança de comportamentos, o que comprova a eficácia das principais medidas recomendadas - higiene, etiqueta respiratória, isolamento e distanciamento social.

Cada um de nós pode alterar as previsões e os modelos?

Temos tido bons resultados, fruto das medidas tomadas. No entanto, o comportamento de cada um e da sociedade nas próximas semanas (nomeadamente a manutenção ou interrupção prematura das medidas de isolamento e distanciamento social) pode afetar os modelos - para melhor ou para pior.

À data de hoje ainda há pessoas a ficar doentes, a precisar de ser hospitalizadas, a precisar de cuidados intensivos, a morrer. Você pode fazer a diferença. Por si. Por todos.

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