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Covid-19 terá chegado à Europa e EUA ainda em dezembro. Francês em choque ao saber que esteve infetado

Covid-19 terá chegado à Europa e EUA ainda em dezembro. Francês em choque ao saber que esteve infetado

A OMS recomendou aos estados-membros que analisassem amostras de doentes com suspeita de pneumonia no final de 2019, para identificar possíveis casos de covid-19 antes mesmo de a China ter comunicado a nova doença.

"É muito importante que todos os países com casos não especificados de pneumonia em dezembro, ou até mesmo novembro, realizem testes. Alguns já estão a fazer", afirmou o porta-voz da entidade, Christian Lindmeier.

Há relatórios médicos de países como França e Estados Unidos que sugerem terem identificado possíveis casos de covid-19 desde dezembro.

"Esses casos fornecem uma visão mais clara da pandemia", sublinhou Lindmeier, que considerou essencial que esse tipo de estudos tenha continuidade de forma a "entender melhor o potencial de contágio da covid-19".

O porta-voz explicou ainda que não seria estranho o coronavírus estar fora da China em data tão precoce, "uma vez que os primeiros casos da doença datam do início de dezembro e é possível que alguns dos infetados tenham viajado de Wuhan para outros países".

Caso francês

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Um hospital francês analisou amostras de pacientes que atendeu em dezembro e janeiro. Um dos testes revelou que o paciente estava, na altura, infetado com covid-19. Ou seja, um mês antes dos primeiros casos confirmados em França.

Na altura, a informação era desconhecida do mundo e dos médicos. O doente foi internado quatro dias antes de a OMS ter sido alertada pela China de casos de pneumonia de causas desconhecidas detetadas na cidade chinesa de Wuhan.

O caso foi descoberto através de um estudo retrospetivo realizados em doentes internados em dezembro e janeiro com pneumonia, explicou o diretor dos cuidados intensivos dos hospitais Avicenne de Bobigny e Jean Verdier de Bondy, Yves Cohen.

"Dos 24, tivemos um caso que confirmou ser positivo para covid-19 a 27 de dezembro", garantiu o médico à BFM-TV, realçando que foram feitos os testes várias vezes, para evitar qualquer erro.

Os primeiros casos registados oficialmente em França datam de 24 de janeiro: um francês de origem chinesa e dois turistas chineses que estiveram na cidade de Wuhan, epicentro da pandemia. Só no dia 12 de janeiro a OMS revelou que tinha sido identificado um novo coronavírus.

Conhecer o primeiro caso é determinante para saber como o vírus se espalhou. Yves Cohen alerta, no entanto, que ainda é muito cedo para dizer se este é o "paciente zero" da Europa.

Podendo não ser o "paciente zero", vem com certeza lançar novas investigações, já que os primeiros casos oficiais na Europa datam de mais tarde.

"Ele pode ser o "paciente zero", mas pode haver outros casos noutras regiões. Todos os resultados negativos para pneumonia devem ser testados novamente. O vírus poderia estar a circular", alerta Cohen.

A Agência Regional de Saúde da região de Paris já afirmou que vai analisar a tese de que o coronavírus já estava em França antes dos primeiros casos oficialmente registados, a 24 de janeiro.

Até agora, julgava-se que a primeira transmissão entre humanos na Europa teria sido a de um alemão infetado por um colega chinês que visitou a Alemanha entre 19 e 22 de janeiro. Também essa informação terá de ser reavaliada, já que este paciente francês parece ter infetado os filhos.

Recentemente, também nos Estados Unidos, um exame post-mortem conduzido na Califórnia revelou que a primeira morte relacionada com covid-19 aconteceu quase um mês antes do que inicialmente se suponha.

O francês que estaria infetado com covid-19 em dezembro não queria acreditar quando foi agora contactado pelo hospital, para conduzirem as primeiras investigações sobre com quem o homem esteve em contacto.

O homem, de 43 anos, vive em Bobigny, nordeste de Paris. Não tinha feito quaisquer viagens que levassem a desconfiar que tivesse sido infetado fora do país. Esteve doente durante 15 dias. Teve febre, tosse seca e dificuldade de respirar. Infetou os seus dois filhos. A mulher nunca teve sintomas.

Os médicos consideram que a mulher, sendo assintomática, poderá ser a origem do contágio da família, já que trabalha na peixaria de um supermercado em que há clientela de origem chinesa, mesmo ao lado do aeroporto Charles de Gaulle. Muitos vão ao supermercado diretamente, ainda com as malas de viagem. Trabalha ao lado de um stand de sushi, perto de colegas chineses.

O homem estava espantado. "Ele não compreendia como podia ter sido infetado. Montamos o puzzle e ele não tinha feito muitas viagens. O único contacto que tinha era com a mulher", acrescenta o médico.

"Tinha dores no tórax", refere Amirouche Hammar. Em entrevista à BFM-TV, relata os dias que antecederam a hospitalização e os sintomas que agora todos associamos à covid-19: tosse, febre e dores no peito. Pensando tratar-se de uma gripe, aguentou e ao fim de alguns dias decidiu ir ao hospital.

"Às 5 da manhã, decidi pegar no carro e ir ao hospital", relembra o homem de 43 anos, referindo ter dores no tórax e dificuldade a respirar. Era dia 27 de dezembro. Saiu do hospital ao fim de três dias. Diagnóstico: infeção pulmonar num doente com diabetes e sujeito a alergias.

"Disseram-me que o que tinha tido era muito sério", revela.

Na altura, em dezembro, pensava-se que só a China estava tocada pela epidemia. A Organização Mundial de Saúde declara a existência de um novo coronavírus a 12 de janeiro e a primeira vítima mortal é anunciada no dia seguinte.

Foi contactado há dez dias pelo médico Yves Cohen. "Disseram-me: você esteve 100% positivo para covid-19"", revela Hammar. "Fiquei surpreso da mesma forma, com os estragos que a doença causa", reitera.

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