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Covid-19:"Infelizmente o Alto Minho está pintado a preto"

Covid-19:"Infelizmente o Alto Minho está pintado a preto"

Uma celebração do Natal com "normalidade", principalmente nas zonas rurais, relaxamento no comportamento cívico de prevenção à covid-19 e surtos em lares são os principais fatores apontados por autarcas do Alto Minho para explicar os elevados níveis de contágio que assolam aquele território.

À exceção de Monção e Viana do Castelo, os restantes oito concelhos da região duplicaram o limite dos 960 casos por 100 mil habitantes. Uma mancha que se estende de Paredes de Coura (3386 casos por 100 mil habitantes) a Arcos de Valdevez (2843), Caminha (3136), Melgaço (3706), Ponte da Barca (2924), Valença (1926), Vila Nova de Cerveira (2424) e Ponte de Lima (2350).

"Isto não está para parar tão depressa. Embora pareça agora que as pessoas não se encontram muito, de certeza que se encontram por certos sítios, e é isso que infeta uns e outros", considerou Manuel Pinto, de 73 anos, habitante de S. Martinho da Gandra, Ponte de Lima, que ontem circulava na sede de concelho.

Muita gente sem cuidado

Dois amigos reformados, José Magalhães e António Cerqueira, de 76 e 78 anos, andavam ontem de manhã a fazer "um passeio higiénico" pela vila. Não eram os únicos. "Há muita gente que não tem cuidado. Andam sem máscara. Outros andam com a máscara para não apanhar o vírus na pera [no queixo] ou no braço", comentou José, referindo: "Nós temos o máximo cuidado. Já temos uma idade avançada". E António completou: "Muitos facilitam. Pensam que [a covid-19] só dá aos outros, mas não. Também chega a nós".

Já Luís Branco, 52 anos, comerciante com porta aberta para take-away resume o que considera estar a gerar a onda de casos: "É a própria natureza. A terceira vaga veio e veio para ficar. E aqui foi a zona mais atacada".

O autarca de Ponte de Lima, Victor Mendes, mostra-se apreensivo face à onda de infeções. "Infelizmente o Alto Minho está pintado a preto, com índices de casos ativos nos últimos 14 dias muito significativos", declarou, acrescentando: "Esses números ocorreram logo a seguir ao desconfinamento na época de Natal. Temos todos de admitir isso". E Miguel Alves, autarca de Caminha, admite: "O mês de dezembro proporcionou vários momentos de relaxamento e passamos todos a intuir que o pior tinha passado".

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"Facilitamos", diz o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho Alto Minho e autarca de Viana do Castelo, José Maria Costa, concluindo: "Temos de ter respeito pela vida, senão nem economia, nem vida. Perdemos tudo".

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