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Creches: de máscara, mas sempre a "dar colo" às crianças

Creches: de máscara, mas sempre a "dar colo" às crianças

Os "educadores de máscara" apresentam-se, neste fim de semana, aos poucos meninos que regressam amanhã à Creche da Misericórdia da Trofa, em S. Romão do Coronado - serão apenas oito até ao fim do mês, de um total de 42 inscritos naquela valência -, para evitar o choque do confronto com o facto de os cuidadores passarem agora a estar o tempo todo com metade do rosto tapado.

"Vamos fazer uma videochamada com todas as crianças que vão frequentar [o espaço] e apresentar-nos de máscara para que nos conheçam assim e o impacto seja menor", revela a educadora e diretora pedagógica da creche, Sílvia Gomes.

Anteontem, a reunião à distância fez-se com os pais, que receberam a carta de princípios da creche, um "manual" que reúne "os procedimentos que estão a ser aplicados" e que é facultado "para que cada uma das famílias possa decidir, de forma esclarecida, sobre o regresso e permanência do seu filho" na instituição. "Dizemos claramente que vamos dar colo", assume a diretora-coordenadora da Misericórdia da Trofa, Zélia Reis, lembrando que a imposição do distanciamento "pode ter repercussões muito negativas nas crianças, como o sentimento de rejeição".

"Às nossas crianças continuarão a chegar palavras carinhosas, gestos que acolhem, sorrisos que constroem cumplicidade e abraços que transmitem segurança. Às nossas crianças continuará a ser permitido brincar, explorar os seus sentidos, interagir com os seus pares, procurar colo e afeto", lê-se no documento que, ao longo de quase 10 páginas, elenca ainda as principais medidas de segurança adotadas, com base nas orientações da Direção-Geral da Saúde.

Circuitos de entrada e saída separados, acesso às salas pelo exterior, zonas de higienização, salas e espaços readaptados, sala de isolamento, refeitório com áreas demarcadas, equipas com trabalho alternado, desinfeção semanal.... Tudo está a postos para voltar a acolher - agora em modo pandemia - as crianças, cuja "circulação em zonas comuns vai ser a mínima possível", adianta Zélia Reis, enquanto Sílvia Gomes recorda, no corredor, o corrupio de outrora.

As novas regras são visíveis logo que se transpõe o portão: os pais, que não entram no edifício e passam a contactar as educadoras por telemóvel, terão de cumprir os percursos marcados no chão e seguir as indicações passo a passo. "Mantenha a distância" ou "aguarde aqui a sua vez" são algumas das instruções para o momento de entregar os filhos aos cuidados das educadoras. A primeira área de desinfeção é um tapete no pátio. Crianças e profissionais vão ter calçado de uso exclusivo nas instalações. Para estes últimos, "o uso de máscara é obrigatório desde que entram na instituição até que saem", sendo que também mudam de roupa e passam por várias etapas de desinfeção até chegarem às salas.

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"Temos a experiência dos lares e isso ajudou-nos a implementar estas medidas aqui", nota Júlio Paiva, responsável pela creche e jardim de infância e pelos Recursos Humanos da Misericórdia da Trofa.

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