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Creches pedem apoio de 150 euros por criança para evitar falência em massa

Creches pedem apoio de 150 euros por criança para evitar falência em massa

São cada vez mais os pais a exigir descontos de 50% e a cancelar matrículas. Lay-off parcial não chega para manter as instituições vivas, diz associação.

As creches e jardins de infância precisam de um apoio de 150 euros, por criança, para fazerem os descontos nas mensalidades exigidos pelos pais e evitar que anulem as matrículas. O "pedido urgente de ajuda" foi aprovado, por unanimidade, pela Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino para, revelou a presidente, Susana Baptista, evitar "a falência em massa".

Já há instituições a fechar. Muitas outras, garantiu, "não aguentarão o mês de maio". Os pais exigem descontos de 50% ou mais na mensalidade, que as instituições não conseguem fazer nem com lay-off parcial. Sem o desconto, estão a anular a matrícula, sobretudo na classe dos dois/três anos (creche) e cinco anos (jardim de infância). "São anos de fim de ciclo, no próximo ano a criança já lá não estará", justifica.

As anulações acentuaram-se quando António Costa anunciou que as crianças não voltariam à escola este ano e multiplicaram-se nos últimos dias. "A única forma de salvar os estabelecimentos", diz Susana Baptista, é um apoio na ordem dos 150 euros por criança.

Com esse dinheiro, as creches e jardins de infância poderão reduzir as mensalidades para metade ou mais, se tiverem fundo de maneio. E Susana Baptista assegurou que o Estado pode controlar o valor que passará a ser cobrado às famílias, através da informação enviada ao Ministério da Segurança Social, para a Carta Social (que elenca todas as respostas sociais do continente, nas várias valências).

Falta de tesouraria

A pressão para a descida das mensalidades começou com a suspensão das aulas presenciais, em meados de março. Susana Baptista compreende os argumentos: as educadoras continuam a falar todos os dias com os meninos, pela Internet, e enviam exercícios de estímulo sensorial, físico ou cognitivo, mas as atividades propostas exigem a participação de um adulto. "Muitos pais acham que estão a fazer o trabalho da educadora e que, por isso, não têm que pagar a mensalidade".

Além disso, Susana Baptista admite que uma parte do trabalho de uma educadora não pode ser feito à distância: "O cuidar, o trocar a fralda ou ensinar a comer".

O lay-off ajuda algumas instituições, mas tem que ser parcial, já que as educadoras continuam a trabalhar. "Mas todas as outras despesas têm que ser pagas". E falta saber se, de facto, o Governo entregará até 28 de abril o dinheiro prometido para os salários dos trabalhadores. Se houver atrasos, Susana Baptista suspeita que muitas creches não terão tesouraria suficiente para adiantar os salários e esperar pelo reembolso do Estado.

Comparticipação de 274€
Às IPSS que têm acordo de cooperação, a Segurança Social paga 274€ por cada criança na creche. Não há acordo de cooperação com instituições privadas.

2631 creches no continente
Um quarto das creches que existiam no continente em 2018 (2631) pertenciam ao setor privado. A larga maioria é de instituições de solidariedade.

10% de desconto
Há colégios a dar 10% de desconto, já que têm menos custos com água e luz, por exemplo. As associações do setor recomendam aos associados que repercutam eventuais poupanças nas mensalidades.