Queda

"Crise artificial" criada por Costa resultou na derrota do Bloco

"Crise artificial" criada por Costa resultou na derrota do Bloco

Entre críticas ao líder socialista, Catarina Martins reconhece "mau resultado" e sublinha "pressão do voto útil".

Perante um Capitólio repleto de apoiantes e militantes, entre os quais os históricos fundadores Luís Fazenda e Fernando Rosas, mas também muitos jovens, Catarina Martins entrou para confirmar um dos piores resultados da história do Bloco de Esquerda, que caiu de terceira para quinta força política. Depois de longos minutos de palmas sonantes e gritos de apoio, a coordenadora do partido assentiu: "O resultado do Bloco de Esquerda é um mau resultado, é uma derrota e neste partido encaramos as dificuldades como elas são", afirmou.

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À semelhança do que tinha já feito Pedro Filipe Soares, a deputada eleita pelo círculo do Porto apontou baterias ao Partido Socialista, acusando António Costa de ter criado "uma crise artificial para ter maioria absoluta" que parece ter colhido frutos. De acordo com Catarina Martins, a "bipolarização" renhida pelo primeiro lugar "era falsa" e criou "uma enorme pressão de voto útil que penalizou os partidos à Esquerda". Com o resultado da noite eleitoral, o Bloco perdeu deputados em quase todos os distritos, como José Manuel Pureza em Coimbra, Moisés Ferreira e Nélson Peralta em Aveiro ou Fabíola Cardoso em Santarém.

Depois da crítica cerrada ao primeiro-ministro, a coordenadora voltou-se para um dos principais adversários políticos, André Ventura. "Este também é um mau resultado por causa do resultado que teve a extrema-direita e o Chega, que devemos abordar com clareza. Cada deputado racista eleito no Parlamento português é um deputado racista a mais e cá estaremos para os combater todos os dias", afirmou, arrancando a maior ovação da noite, com uma sala cheia a gritar "Não passarás" e a aplaudir a coordenadora do partido.

Catarina Martins quis ainda desfazer a "sombra" da responsabilização pelo chumbo do Orçamento do Estado para 2022 e garantiu que o voto contra do Bloco de Esquerda nunca foi "nenhuma tática eleitoral". "Chumbámos o Orçamento sabendo que correríamos riscos eleitorais, mas com a convicção profunda de que o Orçamento que o PS propunha agravava a situação no SNS, agravava a situação de quem vive do seu trabalho e tem salários congelados há tanto tempo, pensões sempre a perder o poder de compra."

Reflexão interna

Apesar da justificação, a verdade é que no caso do Bloco de Esquerda, a história voltou mesmo a repetir-se. Um dos resultados mais sombrios do partido foi em 2011, precisamente numas eleições antecipadas, após o Bloco de Esquerda ter chumbado o Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), o que ajudou a fazer cair um Governo de Esquerda, à data liderado por José Sócrates. Do melhor resultado de sempre em termos de votos obtido em 2009, quando o Bloco captou 558 062 votantes e conseguiu 16 deputados, em 2011 o partido arrecadou apenas 288 973 votos, perdeu oito deputados e viu a bancada reduzida a metade.

Apesar do péssimo resultado que pode levar a pensar numa reflexão interna, Catarina Martins garantiu que a direção "estará cá para assumir todas as responsabilidades", mas que o BE nunca "decidiu a sua direção na sequência de resultados eleitorais". A queda vertiginosa, num contexto de emergência de organizações como o Chega e a Iniciativa Liberal, não demove as tarefas do partido. "Sabemos das nossas lutas e das nossas razões, sabemos que a defesa do SNS ou a luta por um salário digno e contra a precariedade não fica mais fácil com o resultado desta noite, mas também sabemos que não faltaremos a essas lutas em todo o país."

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