Isolamento

Crónica de um jornalista sitiado em Ovar. A luta continua

Crónica de um jornalista sitiado em Ovar. A luta continua

Não, não é caso para lançar foguetes. Não, não vai voltar tudo a ser como dantes. Diria mesmo que, agora, as responsabilidades dos munícipes de Ovar são ainda maiores do que neste mês de estado de calamidade pública.

A cerca sanitária levanta-se, mas os comportamentos de prevenção têm de ser idênticos, ainda não chegou o momento de distribuir abraços. A luta continua. E não é apenas o maldito vírus - algumas mentalidades também têm de ser combatidas, a avaliar pelos relatos que me vão chegando, porque definitivamente os habitantes de Ovar não são proscritos. Diga-se e repita-se quantas vezes for preciso para que isso fique claro.

Os habitantes de Ovar não podem ser discriminados pelo resto do país, como já tem acontecido. Atente-se nas palavras da diretora-geral de Saúde: "Ovar é um bom exemplo". Perceberam? Eu explico. Enquanto muita gente de fora do concelho se concentrava em massa, a passear, nas marginais do país, naqueles dias mais convidativos, ou faziam fila para beijar a cruz nas celebrações da Páscoa, os de cá de dentro estavam firmes nas trincheiras, em recolha domiciliária, no combate ao inimigo invisível. Muitos deles pondo a saúde à frente de tudo, incluindo da própria economia, como deve ser.

Quem vier agora que venha por bem. Quem passou por isto em Ovar que não dê o tempo por perdido. Pela parte que me toca, não vou baixar a guarda contra o vírus, nem contra mentalidades tacanhas.

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