Covid-19

Cruz Vermelha com testes PCR com resultados em 13 minutos

Cruz Vermelha com testes PCR com resultados em 13 minutos

A Cruz Vermelha Portuguesa está a realizar testes PCR com resultados em 13 minutos. O novo método de testagem foi apresentado esta quinta-feira, mas desde junho que já foram feitos 1215 testes em várias cidades do país.

Os novos testes moleculares "ID Now", da empresa americana Abbott, custam 60 euros e têm uma metodologia semelhante à dos testes PCR tradicionais, que se baseia na amplificação de ácidos nucleicos, mas, ao contrário destes, os ID Now permitem saber o resultado em 13 minutos em vez de 24 horas.

"A grande vantagem destes testes é que se faz uma amplificação contínua e isotérmica, que nos permite ter resultados mais rápidos sobre deteção de material genético e com uma sensibilidade muito idêntica ao teste PCR. Outra grande vantagem é que permitem-nos isolar e quebrar cadeias de contágio mais rapidamente e a nível clínico se fizermos um diagnóstico mais precoce tomamos decisões clínicas mais rapidamente", revela ao JN Gonçalo Órfão, médico responsável pelo plano nacional de testes da Cruz Vermelha.

Esta tecnologia já foi utilizada para outros vírus, como gripes, mas foi agora adaptada à covid-19. A fiabilidade destes testes moleculares rápidos é praticamente a mesma que os tradicionais, a não ser para cargas virais mais baixas. "Só para cargas virais muito baixas é que se nota uma ligeira diminuição da sensibilidade, mas para uma nova infeção, tem indicação igual a um outro teste de PCR. Porém, nas cargas virais baixas o grau de infeção é reduzido", repara.

Um teste por máquina

Outra das desvantagens deste teste é estarem limitados a um teste por equipamento, enquanto nas máquinas tradicionais podem ser analisadas 96 amostras de uma vez. A recolha da amostra é feita da mesma forma que os testes que demoram 24 horas, com uma zaragatoa, e colocada num aparelho específico. A Cruz Vermelha adquiriu 50 máquinas, cada uma por 4000 euros, das quais quatro estão em Lisboa e as restantes pelo resto do país.

"É bom quando queremos resultados imediatos, mas se quisermos fazer uma grande quantidade de testes já temos a limitação do número de máquinas. Aqui conseguimos fazer 16 testes por hora", explica Gonçalo Órfão. "Se houver uma alteração grande do vírus que altere as zonas que estamos a amplificar teoricamente estes testes podem deixar de funcionar, mas é muito difícil, o vírus tinha de mudar significativamente", nota ainda.

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Unidades móveis de Bragança ao Algarve

Na última semana foram realizados 100 testes no Lar Militar da Cruz Vermelha, no Lumiar, em Lisboa, e 300 no resto do país. Este é o único posto fixo da Cruz Vermelha para a realização destes testes. Há unidades móveis em Bragança, onde se começaram a realizar estes testes, em Faro, Castro Verde, Maia, Braga, Coimbra, Castelo Branco, Vilar Formoso, Foz Côa, entre outras cidades, que podem ser consultadas no site da Cruz Vermelha.

"O nosso objetivo é fazer uma rede nacional e dar uma alternativa a zonas que estão mais longe dos centros urbanos, onde normalmente não existem laboratórios com testes acessíveis ou os testes PCR têm valores muito altos, de 120 euros. É natural que a rede se expanda, estamos a adaptar-nos à procura. Para já conseguimos responder a todas as solicitações, se aumentarem aumentaremos a capacidade", explica ainda Gonçalo Órfão. Os testes têm sido procurados essencialmente por pessoas que vão viajar, principalmente para França e Espanha.

Migrantes de Odemira testados com ID Now

A Cruz Vermelha já realizou 1215 testes, dos quais "entre 500 e 700" foram feitos aos migrantes de Odemira, pois havia necessidade de obter resultados rapidamente. "Como tínhamos os resultados na hora, podia-se intervir mais rapidamente, sem ser necessário ficarem em isolamento. Ao ter a confirmação na hora tomavam-se decisões mais rapidamente", esclarece o médico da Cruz Vermelha, instituição que propôs começar a testar a metodologia com os migrantes.

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