10 de Junho

Marcelo vai condecorar profissionais que trataram o primeiro doente

Marcelo vai condecorar profissionais que trataram o primeiro doente

Neste 10 de Junho diferente, Marcelo Rebelo de Sousa anunciou que vai condecorar os profissionais do Serviço Nacional de Saúde que trataram o primeiro doente de covid-19.

"Tempos ingratos e decisivos" obrigaram a mudar os planos das comemorações do 10 de Junho, que passaram da Madeira e África do Sul para o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. Falando depois do cardeal D. Tolentino de Mendonça, o Presidente da República centrou o habitual discurso do Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portugueses na crise pandémica e financeira que o país atravessa, alertando que não é possível que as "soluções de ontem sejam as soluções de amanhã".

"Percebemos mesmo aquilo que falhou?" - na saúde, no privado, no setor social - e que "temos nos meses próximos uma oportunidade única para mudar o que temos de mudar?", questionou o chefe de Estado, elogiando o sentido de união dos cidadãos e serviços. "Portugal não pode fingir que não existiu ou não existe pandemia, como não pode fingir que não existe brutal crise económica e financeira. E este 10 de junho de 2020 é o momento para acordarmos todos para essa realidade".

"Heróis da saúde" condecorados

"Todas as vidas contam", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, recordando os cerca de 1500 mortos, os milhares de infetados, desempregados e em layoff. "A pandemia ainda não terminou e a economia e à sociedade estão longe de arrancar".

"É justo que nos unamos para homenagear os heróis da saúde em Portugal", disse ainda o Presidente da República, que, simbolicamente, vai condecorar os profissionais de saúde (um médico, um enfermeiro, um terapeuta e um técnico operacional) que trataram o primeiro doente de covid-19 em Portugal.

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D. Tolentino de Mendonça: "Camões desconfinou Portugal"

Foi nas raízes portuguesas que o cardeal Tolentino de Mendonça, presidente da Comissão Organizadora das cerimónias do 10 de Junho, centrou o discurso nas comemorações contidas deste ano. Apresentando-se, nos claustros quase vazios do Mosteiro dos Jerónimos, como "mais um entre os 10 milhões de portugueses" e iniciando o discurso com uma reflexão sobre a ilha da Madeira, citando o poeta Herberto Hélder, o cardeal madeirense dedicou as primeiras palavras aos cidadãos nacionais em Portugal e na diáspora, "que estão a fazer a sua parte, e ao fazê-lo, fazem o todo".

Sublinhou depois as fragilidades sociais que a "tempestade da covid-19" desnudou: os idosos isolados e institucionalizados aos jovens adultos que vivem uma "interminável" precariedade. "Temos de rejeitar a tese de que uma esperança de vida mais breve determine uma diminuição do seu valor intrínseco. A vida é um valor sem variações", defendeu o cardeal.

"Não há super países, como não há super homens", frisou Tolentino de Mendonça, apelando a uma sociedade mais inclusiva. O cardeal, que diversas vezes no discurso citou Camões, defendeu que o poeta desconfinou Portugal há 500 anos. Além de ter dado o "mais extraordinário mapa mental do Portugal do seu tempo", essa "inspiração para sonhar sonhos grandes" iniciou um inteiro povo "nessa inultrapassável arte de navegação interior que é a poesia".

Na cerimónia, estiveram, além do Presidente da República e do cardeal D. Tolentino de Mendonça, o primeiro-ministro, o presidente da Assembleia da República, o presidente do Tribunal Constitucional, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o presidente do Tribunal de Contas e a presidente do Supremo Tribunal Administrativo.

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