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Da ajuda na saúde à gestão de stocks, o que faz a inteligência artificial

Da ajuda na saúde à gestão de stocks, o que faz a inteligência artificial

A saúde e o retalho são dois dos setores que se destacam pela aplicação da chamada inteligência artificial em Portugal, ao contrário da banca, que é mais "receosa" por ser um setor mais regulado. Pode ajudar a diagnósticos mais precisos e, no futuro, vai mudar a forma de nos movimentarmos.

O estudo "Artificial Intelligence Pathways and Opportunities, a View from Portugal", que é divulgado esta quinta-feira, revela que esta tecnologia já é utilizada para acompanhar e compreender as necessidades dos consumidores no retalho. Ajuda a gerir operações de logística e na otimização do processo de transporte de mercadorias, como alimentos.

A tecnologia de gestão e análise de grandes quantidades de dados pode ser aplicada "um bocadinho a tudo", revela ao JN João Castro, coordenador do estudo feito pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, com o apoio da Google. Uma das suas aplicações futuras passa pela automação das fábricas e pela condução autónoma, que "pode trazer impactos absolutamente brutais na forma como a sociedade se organiza". O uso mais personalizado da inteligência artificial pode, ainda, trazer avanços na área da saúde, num diagnóstico mais preciso.

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João Castro referiu ao JN que "esta tecnologia está hoje num grau de maturidade para ser usada em diferentes áreas", sendo que não há uma que seja "líder" na sua aplicação. Segundo o professor da Nova SBE, entende-se por inteligência artificial "um algoritmo que processa uma grande quantidade de dados", numa "capacidade de trabalho que o ser humano não acompanha".

Na saúde, uma das áreas que se tem destacado pela recente incorporação de inteligência artificial, a tecnologia é utilizada no "apoio ao diagnóstico" e na capacidade de resposta. De acordo com o coordenador, esta é uma solução que contribui para diminuir os efeitos de sobrecarga nos hospitais, uma vez que providenciam "modelos e protocolos de tratamento totalmente diferentes". Na indústria do retalho, a inteligência artificial "ajuda como reforço" na gestão de sistemas logísticos, particularmente na otimização de processos de transporte de mercadorias, como alimentos.

De acordo com João Castro, uma das empresas que em Portugal se destaca por ser pioneira no uso desta tecnologia é a Sonae. No final dos anos 80, a empresa já "utilizava quantidades brutais de dados", segundo o coordenador.

Mais debate público

A banca é uma das indústrias que se destaca por ser "mais receosa" na aplicação desta tecnologia. Tal como os seguros, a banca é um setor "altamente regulado", o que pode dificultar o uso de inteligência artificial.

Um dos pontos de estudo do projeto foi as políticas públicas que dizem respeito à aplicação da tecnologia. Segundo João Castro, "há equipas dedicadas à tecnologia para promover junto do Estado" estas novas aplicações. No entanto, ao longo das entrevistas feitas a profissionais de variados setores, concluiu-se que se pede "mais debate público sobre a potencialidade da tecnologia". Apesar de haver "políticas a serem desenvolvidas", falta "incluir a sociedade na discussão" sobre temas como a proteção de dados.

Apesar deste estudo ter sido feito "num ano atípico", o coordenador deixa o apelo a que se dê continuidade à discussão deste tema, que está a ser "constantemente atualizado".

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