Reguengos de Monsaraz

Das 670 pessoas contactadas só 35 aceitaram ir trabalhar para o lar de Reguengos

Das 670 pessoas contactadas só 35 aceitaram ir trabalhar para o lar de Reguengos

A Segurança Social contactou 670 pessoas para trabalhar no lar de Reguengos de Monsaraz para substituir os profissionais que tiveram de ser isolados devido ao surto de covid-19, mas só conseguiu mobilizar 35, revelou a ministra do Trabalho e Segurança Social no Parlamento.

Ana Mendes Godinho adiantou o número para que se percebam as "dificuldades na mobilização" de profissionais para os lares onde há surtos de covid-19, pelo receio de contágio.

"Há muitas situações em que só conseguimos voluntários para trabalhar nos lares" afetados por surtos, afirmou a ministra, acrescentando que, no caso concreto de Reguengos de Monsaraz, "no dia 19 de junho, a Segurança Social começou a mobilizar pessoas. Das 670 contactadas, conseguiu mobilizar 35".

As ministras do Trabalho e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, e da Saúde, Marta Temido, foram ouvidas esta manhã de quarta-feira no Parlamento, sobre os surtos de covid-19 ocorridos em lares de idosos, como o que ocorreu em Reguengos de Monsaraz, onde morreram 18 pessoas. A audição foi requerida pelos grupos parlamentares do CDS, PSD e PAN.

A ministra da Segurança Social reforçou que "a questão dos recursos humanos é das questões mais críticas neste momento", e deu conta do reforço extraordinário feito através dos programa MAREESS, de voluntários e da Cruz Vermelha Portuguesa que já permitiu colocar quase oito mil profissionais nas instituições.

Questionada sobre quando vão estar no terreno as 18 brigadas de emergência - uma por distrito - para assegurar uma resposta alternativa nos lares afetados por surtos, Ana Mendes Godinho esclareceu, já no final da audição, que as equipas - que envolvem um total de 400 pessoas e contam com médicos, enfermeiros, assistentes operacionais e psicólogos -estão a ser "preparadas e operacionalizadas" pela Cruz Vermelha Portuguesa com a colaboração da Ordem dos Enfermeiros.

Na mesma audição, a ministra anunciou que vai criar uma linha telefónica de apoio aos lares a funcionar 24 horas por dia e avançar com testagem a covid-19 de trabalhadores por níveis de risco.

As duas ministras garantiram que os lares foram uma prioridade nesta pandemia, que houve planeamento e que não baixaram nem vão baixar os braços.

"Aprendeu-se muito e de aprendeu-se de forma pesada. Cada morte deu-nos a sensação de que falhámos um pouco", admitiu Marta Temido.

Na audição, a ministra da Saúde esclareceu ainda que em 2628 lares foram realizadas visitas a 1323 para monitorizar o cumprimento das medidas preventivas para a covid-19.

Nas regiões do Alentejo e Algarve, todas as instituições já foram vistoriadas, no Norte e no Centro foram 30%, adiantou Marta Temido. Sem adiantar números, a ministra disse que a situação em Lisboa e Vale do Tejo está "mais complexa" porque a evolução da pandemia exige a mobilização dos profissionais para outras áreas.

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