Política

Data de congresso abre novo braço-de-ferro entre Melo e o líder do CDS

Data de congresso abre novo braço-de-ferro entre Melo e o líder do CDS

Round 2. É o que vai ser o Conselho Nacional desta sexta-feira do CDS-PP, com um segundo braço-de-ferro entre Nuno Melo e o líder dos centristas, Francisco Rodrigues dos Santos, a propósito da data do congresso do partido. Nuno Melo fala em "golpe institucional".

Foi o presidente do CDS que, no Conselho Nacional do passado dia 11, insistiu que o congresso eletivo do partido fosse agendado para os dias 27 e 28 de novembro. O seu rival na corrida à liderança, Nuno Melo, opôs-se, até porque iria coincidir com o conclave do Chega. Francisco Rodrigues dos Santos ganhou o primeiro confronto com o seu adversário, conseguindo aprovar a data com 64% dos votos, mas levando a um corte de relações com o partido de André Ventura.

Agora, nas vésperas das eleições dos delegados para o congresso já marcado para Lamego (decorrem no domingo), Francisco Rodrigues dos Santos dá o dito por não dito e quer adiar o congresso para depois das legislativas, o que lhe dará a garantia de que será o candidato do partido às eleições para a Assembleia da República, podendo deixar até de fazer sentido uma candidatura de Nuno Melo.

Por isso, o eurodeputado e os seus apoiantes falam de "um golpe institucional". Foi isso mesmo que foi afirmado numa carta, subscrita por metade dos dirigentes distritais, vários autarcas e senadores, que Nuno Melo entregou a Francisco Rodrigues dos Santos, na Comissão Política Nacional da noite de quinta-feira. Por outro lado, Francisco Rodrigues dos Santos recebeu outra carta, com a outra metade dos dirigentes distritais, a pedir o adiamento do conclave para depois das legislativas.

"Considerando que a compatibilidade da data das eleições legislativas, com as escolhas a fazer no CDS e no PSD foi já antecipada pelo senhor presidente da República", começam por sublinhar os subscritores, apontando que Marcelo Rebelo de Sousa já terá dado a garantia de que as eleições nacionais não irão ocorrer antes de fevereiro. Sendo assim, o CDS-PP já teria o seu líder e órgãos nacionais legitimados há dois meses. Daí que, se considere, entre os críticos internos, que o adiamento do congresso "configurariam um golpe institucional e lançaria o CDS num período de grave conturbação interna".

"A suspensão do ato eleitoral do próximo domingo e do congresso previsto nos dias 27 e 28 de novembro representam uma suspensão da democracia interna e, desse ponto de vista, um verdadeiro golpe de estado no partido, do qual resultará um presidente e uma Direção sem legitimidade interna e sem credibilidade no país. Solicitamos-lhe por isso que reveja a sua posição, mantendo as eleições do próximo domingo e o congresso dos dias 27 e 28 de novembro, sob pena de não o fazendo, passar a ser o único responsável por todas as consequências políticas e jurídicas, bem como pela justa indignação que tal decisão gerará", concluem os subscritores da missiva.

No final da Comissão Política Nacional da noite de quinta-feira, o antigo dirigente António Pires de Lima concordou: "A possibilidade de um adiamento do congresso é sobretudo um ato de incoerência de quem já tinha marcado este congresso e de quem apela sistematicamente à liberdade de escolha dos cidadãos". Para Pires de Lima, trata-se de "sonegar a liberdade de escolha aos militantes do CDS". E avisou: "Vitoriazinha em vitoriazinha o presidente do partido arrisca-se a ir até a uma grande derrota final".

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Nuno Melo até aceita adiar o congresso. Mas, desde que se realize, antes das legislativas. "O CDS é um partido estruturante e fundador da democracia e vive hoje o primeiro ato de uma tentativa de golpe de estado institucional que eu quero denunciar e repudiar vivamente", atirou o candidato à liderança.

Apesar disso, a Direção de Francisco Rodrigues dos Santos mantém-se firme nas intenções de adiar o congresso para depois das legislativas, no Conselho Nacional desta sexta-feira. "Quem me dera ter um congresso daqui a 15 dias, mas sendo racional, sendo responsável, acho que é melhor ter um congresso depois das legislativas", defendeu o vice-presidente do partido, Pedro Melo, considerando que "haveria perturbação da vida democrática interna" se os órgãos do partido não fossem ouvidos.

Já o presidente do Conselho Nacional, Filipe Anacoreta Correia, avisou: "Não é razoável, não é entendível e não é aceitável do ponto de vista político que determinados atores possam achar que as decisões do Conselho Nacional são mais ou menos legítimas consoante são favoráveis ou desfavoráveis aos próprios".

O braço-de-ferro mantém-se, assim, com Nuno Melo e Francisco Rodrigues dos Santos a prepararem-se para, no Conselho Nacional desta sexta-feira, protagonizarem um round 2, de medição de forças e de apoios.

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