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Primeiro trimestre

De quatro a dois milhões de doses: atrasos reduzem vacinas em Portugal

De quatro a dois milhões de doses: atrasos reduzem vacinas em Portugal

Face aos atrasos de produção das farmacêuticas, Portugal contará apenas com metade das vacinas esperadas inicialmente. Bruxelas a braços com gestão complicada de stocks.

No primeiro esboço do plano nacional de vacinação contra a covid, no início de dezembro, o Governo português chegou a estimar a chegada de mais de quatro milhões de doses até ao fim do primeiro trimestre deste ano. No entanto, face aos atrasos de produção relatados nas últimas semanas pelas farmacêuticas, haverá pouco mais de dois milhões de vacinas em território nacional até março.

A informação foi confirmada por Francisco Ramos, coordenador da "task force" responsável pelo planeamento da vacinação, ao Jornal de Negócios. O coordenador do plano garante, ainda assim, que o atraso nas entregas não comprometerá, para já, a cadência da imunização. Reconhece, contudo, que a gestão das doses ficará vulnerável face a eventuais novos atrasos.

Segundo detalhou Francisco Ramos, Portugal chegou a contar receber 1,5 milhões de doses da BioNTech/Pfizer até março, mas neste momento 200 mil dessas vacinas já não fazem parte do plano de entrega.

Só há mais uma vacina também aprovada na União Europeia, produzida pela Moderna, mas Portugal já só contava receber 227 mil doses no primeiro trimestre.

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No plano inicial, constavam ainda 1,4 milhões de doses produzidas pela AstraZeneca, que já avisou a Comissão Europeia de que não conseguirá cumprir o calendário. Feitas as contas, só 700 mil doses deverão, então, chegar a território nacional.

Por último, até março, estimava-se igualmente a chegada de um milhão de doses da Janssen (Johnson & Johnson). Mas segundo Francisco Ramos, "na melhor das estimativas", essas vacinas só deverão ser entregues em junho.

Acusada de conduzir o processo de vacinação de forma muito lenta (face ao Reino Unido, EUA e Israel), a Comissão Europeia (CE) tem estado sob pressão sobretudo depois de a AstraZeneca ter comunicado que não vai conseguir cumprir o calendário de entregas previsto.

Uma notícia que a CE considerou "inaceitável". A presidente do organismo, Ursula von der Leyen, avisou os fabricantes de vacinas contra a covid-19 - que receberam investimentos massivos da UE - que "têm de cumprir as suas promessas e honrar as suas obrigações".

A AstraZeneca justificou o atraso relativo à UE com os "problemas de produção" provocados pelos trabalhos para aumentar a capacidade produtiva a longo prazo, numa das suas fábricas no espaço comunitário. Entretanto, face à escalada de tensão com Bruxelas, a farmacêutica recusou participar numa reunião de altos funcionários europeus marcada para esta quarta-feira à noite.

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