Pandemia

Debandada na Universidade do Porto

Debandada na Universidade do Porto

À fleuma do dever de confinamento, segue-se a ordem de encerramento total, sem aulas online nem nada. Exames adiados até nova oportunidade. Estudantes concordam com a determinação sanitária e divergem quanto aos efeitos curriculares.

Debandada geral no polo universitário da Asprela, no Porto. O encerramento do ensino superior por 15 dias, decretado esta quinta-feira pelo Governo, apressou o fim de semana e adiou todos os exames até novas ordens. Entre os estudantes, as opiniões convergem na aprovação das novas medidas sanitárias e divergem quanto aos efeitos curriculares que se seguem.

No cais rodoviário da Rodonorte da Asprela, o expresso de Bragança das 15.30 arrumava as bagagens. Na maioria, os viajantes eram estudantes universitários de volta a casa para o fim de semana. Poucos conheciam as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro havia minutos. O retorno ao campus ficou adiado por duas semanas ou mesmo mais, se, como observou António Costa, o aumento da prevalência da estirpe britânica não permitir parar a disseminação do vírus ou se se agravarem os números da pandemia.

"Estou aliviado com as novas medidas. Pena é que cheguem tão tarde. Ainda assim, mais vale tarde do que nunca", afirmou ao JN o estudante Ivan Amorim, de 18 anos, do primeiro ano de Engenharia Química, que logo se felicitou com o efeito mais próximo da quarentena da Faculdade de Engenharia do Universidade do Porto (FEUP). "Tinha exame de Química Orgânica marcado para amanhã [sexta-feira]. Ia ser um caos...", observou.

Tal como Ivan, outros dois colegas de curso salientam a inevitabilidade do confinamento total, embora com perspetivas diferentes: "Visto o descontrolo nos hospitais, faz sentido que fiquemos todos em casa, apesar da acumulação das matérias e dos exames. E sempre teremos 15 dias para rever matérias e estudar", diz Ana Margarida Antunes, de 18 anos; "Concordo com estas medidas, porque, embora a Faculdade tenha feito tudo para prevenir a disseminação do vírus, a nossa circulação e a nossa presença não deixam de ser um risco, porque, nas nossas idades, somos o maior vetor de contágio", acrescenta Leonardo Silva, de 19 anos.

De partida para Famalicão, no vaivém quotidiano com a FEUP, que incluiu o risco estatístico inerente à quase impossibilidade de se observar o distanciamento social nos transportes públicos, Mariana Melo, de 19 anos, também se congratula com as novas restrições sanitárias.

"São medidas necessárias, mas é claro que são muito complicadas para nós. Apesar de todas as restrições, a primeira época decorreu normalmente, com exames presenciais. Agora, com este encerramento e com adiamento de exames, é evidente que tudo vai acumular-se lá mais a frente", afirmou ao JN a estudante de segundo ano de Bioengenharia.

PUB

A opinião de Hugo Cruz, de 18 anos, também do segundo ano de Bioengenharia, é divergente: "Estas medidas são justificadas, até pelo alcance pretendido. Acho que os mais prejudicados, em termos curriculares, são os alunos dos níveis de ensino inferiores. No nosso caso, com estudantes de maior maturidade, a situação não é tão problemática. No ano passado, já se colocou o mesmo problema, que também pôde ser ultrapassado com o extraordinário acompanhamento dos professores. E se, desta vez, como se diz, nem sequer há aulas online, os efeitos também serão menores, porque estamos a entrar em época de exames".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG