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Marcelo exigirá acordo escrito em eventual Governo apoiado pelo Chega

Marcelo exigirá acordo escrito em eventual Governo apoiado pelo Chega

Os candidatos à presidência participaram, esta segunda-feira, num debate radiofónico em simultâneo na TSF, Antena 1 e Renascença. Só André Ventura esteve ausente, alegando motivos de agenda.

Um dos temas quentes foi a requisição aos privados na saúde. Marcelo Rebelo de Sousa referiu que esse mecanismo ainda não foi necessário, contrariando Ana Gomes e Marisa Matias. O presidente recandidato também revelou que exigirá acordo escrito a um futuro Governo apoiado pelo Chega.

Ana Gomes, apoiada por PAN e Livre, acusou Marcelo de "banalizar" o estado de emergência. "Muita gente não está a perceber que estamos numa situação de limite", afirmou, exemplificando com o trânsito com que se deparou a caminho do estúdio. Também referiu ser preciso "reforçar a mão do Governo" nas relações com os privados na saúde, porque "não é tempo para querelas ideológicas".

Marisa Matias, apoiada pelo BE, sublinhou ser necessário "envolver toda a capacidade da saúde para responder à emergência", procedendo à requisição dos privados. "Se não é agora, não sei quando vamos fazê-lo", defendeu. Também acusou Ventura de não estar presente por "não querer dar explicações" sobre o jantar de quase 200 pessoas que organizou em Braga.

Marcelo Rebelo de Sousa, recandidato e apoiado por PSD e CDS, colocou um freio à necessidade da requisição civil. Defendeu que, "se ela tiver de ser utilizada, é utilizada" mas ressalvou que, até aqui, "não houve necessidade" de o fazer. Marcelo contrariou "a ideia de que os privados têm uma capacidade muito grande", referindo que esta é "muito limitada" e que também está "perto do limite".

João Ferreira, que tem o apoio de PCP e PEV, lembrou que "há muito povo que continua a trabalhar todos os dias". O candidato pediu o reforço de medidas sanitárias nos locais de trabalho, transportes públicos e lares, acompanhados de um aumento dos recursos do SNS. "Temos os meios necessários inscritos no Orçamento do Estado" para criar mais 400 camas de cuidados intensivos, argumentou.

Tiago Mayan, candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, disse que a pandemia provocou uma situação de "aparente ruptura". Esta, considerou, foi exacerbada por uma "abordagem totalmente errática" da parte do Governo, que fez acompanhar o atual estado de emergência daquilo a que o liberal chamou uma "tômbola de exceções".

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Vitorino Silva, apoiado pelo RIR, disse que "os políticos devem descer à terra", de modo a estarem "onde está o povo". O candidato acrescentou que, se o Governo pede para os portugueses ficarem em casa, há que cumprir esse apelo.

Candidatos atacam Marcelo na regionalização

Ana Gomes abordou, de seguida, o tema da regionalização, recordando que, apesar de estar inscrita na Constituição, esta ainda não conheceu "passos decisivos", responsabilizando Marcelo por isso mesmo. Em resposta, o presidente recandidato lembrou que essa temática está dependente de um referendo e que este é "iniciativa do Governo ou do Parlamento".

Ana Gomes insistiu que Marcelo está a "boicotar" o processo, levando Marcelo a esclarecer: o papel do chefe de Estado não é criar "obstáculos" a essa questão, pelo que aceitará sempre convocar o referendo ou rever a Constituição para eliminar a necessidade dessa consulta, caso seja essa a vontade dos partidos.

João Ferreira lembrou que o PCP apresentou, recentemente, uma proposta para calendarizar a regionalização e acelerar o processo, e que foi rejeitada pelo Parlamento. Marisa Matias disse desejar o referendo e referiu-se à regionalização como um instrumento que ajudará a diminuir a pobreza, lembrando também que Marcelo disse, em tempos, que este processo seria um "erro irreversível".

Tiago Mayan assumiu-se como partidário da regionalização. No entanto, defendeu que a discussão sobre o tema "está sempre inquinada", já que o "estado central nunca discute aquilo de que quer abdicar". Vitorino Silva também disse ser favorável à regionalização, vincando, contudo, a necessidade de um referendo.

Marcelo pedirá acordo escrito se Chega apoiar um futuro Governo

Marcelo foi também criticado, por Ana Gomes, Marisa Matias e João Ferreira, por ter viabilizado uma solução com o Chega no Governo Regional dos Açores. O presidente recandidato referiu que, caso venha a ocorrer uma espécie de "geringonça" de Direita a nível nacional, "podem levantar-se" dúvidas sobre a constitucionalidade de algumas propostas do partido de André Ventura.

Nesse cenário, prosseguiu, fará sentido um acordo escrito entre os partidos que apoiarem essa solução governativa; ao contrário, explicou que, após as legislativas de 2019, não exigiu esse documento porque "não tinha dúvidas nenhumas" sobre a constitucionalidade de BE, PCP e PEV, que até aí tinham apoiado o Governo do PS.

No entanto, Marcelo deixou um alerta: uma solução governativa que envolva o Chega "acontecerá mais depressa se transformarmos em pólo central" da sociedade "aquilo que não o deve ser". Contudo, avisou também que, se isso chegar a ocorrer - e uma vez verificadas as exigências constitucionais -, "o presidente da República não pode fazer nada".

A questão da Justiça também foi abordada. Marcelo admitiu que o combate à corrupção "pode e deve ir mais longe", ao passo que Ana Gomes falou numa Justiça para ricos e noutra para pobres, em que quem tem poder trabalha para a "prescrição de crimes".

Marisa Matias também sublinhou as "duas ou três velocidades" da Justiça, algo que disse ocorrer sobretudo por falta de meios. João Ferreira subscreveu esta tese, embora distanciando-se de medidas "demagógicas" como a delação premiada.

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