Operação Marquês

Decisão foi "arrasadora para o Ministério Público", defende Ana Gomes

Decisão foi "arrasadora para o Ministério Público", defende Ana Gomes

A ex-candidata presidencial Ana Gomes afirmou que a decisão instrutória sobre a Operação Marquês foi "arrasadora para o Ministério Público" e rejeitou que o antigo primeiro-ministro José Sócrates tenha obtido esta sexta-feira uma vitória.

"O arraso por incompetência do Ministério Público fica claro, por exemplo, nas considerações que o juiz [Ivo Rosa] faz sobre vários factos que ele até não diz que não possam ter ocorrido, mas que estão prescritos. Quando a investigação foi feita já estavam prescritos", avançou a diplomata à Lusa.

Ana Gomes adiantou ainda estar "muito preocupada" com a interpretação dos factos "completamente discrepante" entre o Ministério Público e a decisão anunciada hoje, considerando que essa "discrepância não é normal, nem é de molde a tranquilizar os cidadãos sobre o funcionamento da nossa Justiça".

"Não tenho dúvidas que o juiz acaba por declarar e acusar de corrupção José Sócrates. Acusa-o de branqueamento de capitais, porque na base está o crime subjacente da corrupção", afirmou Ana Gomes, para quem "não está aí nenhuma vitória do engenheiro José Sócrates, que conseguiu ver-se livre de algumas acusações na base de um erro do Ministério Público".

Manifestando-se com o "coração pesado", a candidata nas últimas eleições presidenciais considerou ainda que a confiança dos portugueses no sistema de justiça foi abalada, o que "é devastador para a Justiça, em particular para o Ministério Público, mas também para os políticos que têm há anos contemporizado com estas disfunções na Justiça".

"Espero que os responsáveis políticos percebam que é a própria democracia que está em causa, porque, obviamente, estas disfunções na Justiça e este abalo na confiança dos cidadãos na Justiça só serve aos inimigos da democracia", disse.

Dos 28 arguidos da Operação Marquês (19 pessoas e nove empresas), vão a julgamento o ex-primeiro-ministro José Sócrates e o empresário Carlos Santos Silva, ambos pronunciados por três crimes de branqueamento de capitais e três crimes de falsificação de documentos.

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Segundo a decisão instrutória hoje lida pelo juiz Ivo Rosa, no Campus da Justiça, em Lisboa, foram, igualmente, pronunciados o antigo ministro e ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos Armando Vara, por um crime de branqueamento de capitais, e o ex-presidente do Grupo Espírito Santo Ricardo Salgado, por três crimes de abuso de confiança.

João Perna, ex-motorista de José Sócrates, vai ser julgado por um crime de detenção de arma proibida.

No processo estavam em causa 189 crimes económico-financeiros.

José Sócrates foi detido em novembro de 2014. O despacho de acusação ao antigo primeiro-ministro e mais 27 arguidos foi conhecido em outubro de 2017.

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