Carta aberta

Deixem-nos trabalhar: o apelo dos médicos de família

Deixem-nos trabalhar: o apelo dos médicos de família

É uma espécie de grito de alerta dos médicos de família, pedindo uma "estratégia exequível" por parte do Ministério da Saúde para os doentes não-covid e a reabertura em pleno dos centros de saúde.

Numa carta-aberta intitulada "Deixem-nos ser Médicos de Família!", cerca de 500 profissionais questionam a estratégia da tutela em manter os centros de saúde com um "atendimento não presencial", sem os recursos necessários e através do método de "semi-encerramento", quando a situação pandémica já não é igual à do ano passado.

Na carta aberta, dizem que os doentes não recebem o acompanhamento necessário, os sistemas informáticos não são adequados e que não há globalidade de cuidados, nem autonomia das unidades de saúde.

Os profissionais de saúde referem que grande parte das suas tarefas são direcionadas para pessoas infetadas com covid-19: acompanham quase todos os doentes com diagnósticos ou suspeitos de covid-19, são responsáveis pela assistência médica nos centros de vacinação e pelas áreas dedicadas à doença respiratória, criadas como resposta à pandemia, e trabalharam nas Estruturas de Apoio e Retaguarda e Zonas de Apoio à População.

"É cada vez mais notória a exaustão dos médicos de família pelo excesso de tarefas que inclui muitos fins de semana e feriados, sobretudo pela preocupação com o facto de não lhes ser possível seguir e acompanhar convenientemente os seus doentes, e porque a sua voz continua a ser ignorada por quem tem o poder de decisão", lê-se na carta.

"Há que alocar outros profissionais, abrir contratações e mudar o modelo de abordagem de combate à pandemia", dizem, insistindo que "há que reabrir os centros de saúde em pleno, com adaptações locais se necessárias e deixar os médicos de família fazerem o que sabem fazer bem".

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A carta tem o apoio de Paulo Santos, presidente do Colégio de Especialidade de Medicina Geral e Familiar da Ordem dos Médicos, tendo sido assinada por mais de 500 médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar.

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