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Deputado próximo de Rio critica "centralização do líder"

Deputado próximo de Rio critica "centralização do líder"

O deputado do PSD Álvaro Almeida criticou, este sábado, Rui Rio pela "centralização" de poder que o líder instituiu no partido e disse que os deputados "nem sequer participam nas decisões" da bancada. Almeida, ex-candidato à presidência da Câmara do Porto, também desafiou Rio a concorrer às autárquicas do próximo ano na Invicta: "se se candidatar, tenho a certeza de que ganha".

Em entrevista ao "Expresso", e questionado sobre se há "muito pouco" debate interno no PSD, Álvaro Almeida respondeu: "Muito pouco é eufemismo. Há uma centralização do líder, quando o PSD sempre foi um partido de bases e diálogo. Os deputados nem sequer participam nas decisões".

Na opinião do social-democrata, os parlamentares "devem ter um papel central na política e não [ser] alguém que só lá está a ocupar cadeiras e a levantar o braço quando é para votar". No atual PSD, sustentou, vive-se um ambiente de "menorização do papel dos deputados", uma crítica ao líder que o desafiou a integrar as listas do PSD pelo distrito do Porto.

Álvaro Almeida, que até recentemente era próximo de Rui Rio, entrou em rota de colisão com o líder do partido em junho, decidindo abandonar as funções de coordenador dos deputados na comissão de Saúde e de vice-coordenador na comissão de Orçamento e Finanças, depois de Pedro Rodrigues já o ter feito na comissão de Trabalho, invocando o mesmo tipo de justificações: falta de diálogo do líder com a bancada. No mês passado, foi um dos sete deputados do PSD que furaram a disciplina partidária e votaram contra o fim dos debates quinzenais.

O deputado sente não ter quebrado a disciplina, revelando que "a única comunicação que os deputados receberam, por e-mail, dizia para votar contra" a alteração - proposta pelo PSD e que, posteriormente, sofreu alterações por iniciativa do PS.

Álvaro Almeida disse que só mais tarde percebeu que a indicação dada nesse e-mail era um lapso: "O assunto não foi debatido no grupo parlamentar, não sabia qual era a posição do partido", justificou.

Rio não ouve a bancada

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"A direção da bancada tem legitimidade para decidir o sentido de voto, mas depois de ouvir o grupo parlamentar", lembrou o deputado. "Tentar impor um sentido de voto sem discussão, à revelia dos princípios democráticos e regulamentares, foi o que justificou o meu voto contra. Se o procedimento fosse adequado, mesmo não concordando, aceitava a vontade da maioria".

Álvaro Almeida admitiu não ter comunicado a Rui Rio que ia conceder a entrevista ao Expresso, vincando: "Dou as entrevistas que me apetecer", desde que não seja para falar "em nome do partido", numa alusão às regras impostas de que os deputados devem concertar com a assessora de imprensa do PSD os contactos com os jornalistas.

Almeida desafia Rio a candidatar-se à Câmara do Porto

O antigo candidato à Câmara do Porto reconhece, no entanto, que Rio foi um "excelente" autarca quando presidiu à autarquia da Invicta. Apontando a mira às eleições autárquicas de setembro de 2021 disse que o PSD tem hipóteses de derrotar o independente Rui Moreira.

Segundo Álvaro Almeida, mesmo que Moreira se recandidate, "o PSD tem potenciais candidatos ganhadores, a começar pelo melhor autarca do Porto dos últimos 100 anos", referindo-se a Rio.

Embora a sua preferência recaia sobre Paulo Rangel, Almeida considerou que, "se Rui Rio se candidatar, tenho a certeza de que ganha", um desafio sui generis numa altura em que Rui Rio lidera a oposição e é naturalmente candidato a primeiro-ministro.

O deputado também comentou o apoio do CDS a Rui Moreira, dizendo que, com essa escolha, o partido se "autoeliminou da política municipal". "Toda a gente já fez o epitáfio do CDS a nível nacional mas, no Porto, já desapareceu há muito, diluído nas listas de Rui Moreira", argumentou.

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