Covid-19

"Desde o início que os lares foram uma prioridade total para nós", diz Ana Mendes Godinho

"Desde o início que os lares foram uma prioridade total para nós", diz Ana Mendes Godinho

A ministra do Trabalho e da Segurança Social afirmou esta terça-feira que a prioridade do Governo tem sido "criar todos os mecanismos para responder a uma pandemia para a qual ninguém estava preparado" e que os lares têm estado no topo das preocupações do país.

Em declarações aos jornalistas após uma visita a uma IPSS em Alcanena, Santarém, Ana Mendes Godinho realçou que os lares de idosos são, desde o início, uma prioridade "do Governo e de todos nós".

A propósito do documento da Ordem dos Médicos sobre o surto no lar de Reguengos de Monsaraz, na sequência do qual morreram 18 pessoas, a ministra referiu que a informação foi remetida para o Ministério Público, sublinhando que há "relatórios contraditórios".

"No dia 14 de julho, a Segurança Social fez um relatório de toda a situação e no dia 16 este relatório foi enviado para o Ministério Público", disse a ministra, frisando que "é nessa sede de processo que devem ser analisadas" todas as "matérias que constam dos vários relatórios que foram produzidos por várias entidades, alguns deles com elementos contraditórios".

A governante deu ainda conta que, desde a aplicação de um programa de reforço criado no início da pandemia, "já foram colocadas cerca de seis mil pessoas nos lares para reforço dos recursos humanos", uma situação que, vincou, exige estar "permanentemente a implementar novas medidas".

Por outro lado, questionada sobre que medidas se podem tomar desde já para evitar novas situações como a de Reguengos, Ana Mendes Godinho apontou para as conclusões dos relatórios em análise sobre o caso concreto do lar que vitimou 18 pessoas.

"A avaliação dos vários relatórios que existem também servem para avaliação do que podemos fazer mais em conjunto", afirmou, tendo feito notar que a ação do Governo e dos vários parceiros e instituições de solidariedade social decorre em "dois momentos paralelos", sendo um deles o da fiscalização - "em 2019 foram encerrados 137 lares ilegais" - e o outro "encontrar forma de proteger as pessoas".

A governante afirmou ainda que irá continuar a "proteger quem precisa". "O meu trabalho é garantir que estamos a implementar diariamente todas as medidas para responder e fazer face ao momento completamente extraordinário que todos vivemos", afirmou Ana Mendes Godinho.

O surto de Reguengos de Monsaraz, detetado em 18 de junho, provocou 162 casos de infeção, a maior parte no lar (80 utentes e 26 profissionais), mas também 56 pessoas da comunidade, tendo morrido 18 doentes (16 utentes e uma funcionária do lar e um homem da comunidade).

Posteriormente, num relatório da auditoria conhecido no dia 6 de agosto, a Ordem dos Médicos disse que o lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva não cumpria as orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS) e apontou responsabilidades à administração, à Autoridade de Saúde Pública e à ARS.

A Procuradoria-Geral da República disse depois à Lusa que foi instaurado um inquérito sobre o surto de covid-19 neste lar e que está a analisar o relatório da Ordem.

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