Saúde

Desenvolvida máscara para doentes com dificuldades de deglutição

Desenvolvida máscara para doentes com dificuldades de deglutição

Uma máscara facial desenvolvida pelas Faculdades de Medicina (FMUP) e Engenharia (FEUP) da Universidade do Porto, com a colaboração do Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga, vai ser produzida pela multinacional portuguesa Simoldes. A multinacional tem uma parte amovível que permite o acesso à cavidade oral do paciente sem remover a máscara. O seu propósito é auxiliar doentes que, em certos casos, sofram de disfagia, ou seja, dificuldade em engolir, ou apresentem dificuldades de motricidade oral em casos de acidente vascular cerebral.

A máscara é "dividida em dois componentes, um superior fixo na testa e um inferior amovível que permite o acesso à cavidade oral do paciente sem remover a máscara. Possui ainda a possibilidade de ser ligada a um sistema de aspiração", explica Joaquim Gabriel Mendes, do Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI) e professor na FEUP.

A nova máscara tem como intuito servir como equipamento de proteção individual em diferentes situações, nomeadamente nos casos de doentes que apresentam disfagia (uma dificuldade em engolir, o que significa que demora mais tempo e implica maior esforço para mover os alimentos sólidos ou líquidos desde a boca até ao estômago ou alterações da motricidade oral após a ocorrência de um acidente vascular cerebral, entre outras patologias.

É um equipamento particularmente útil para hospitais e lares, sobretudo nos casos de população idosa que esteja institucionalizada ou internada e que, durante o período das refeições, possa ingerir os seus alimentos tendo a máscara colocada", explica o investigador José Manuel Amarante do Laboratório de Biomecânica do Porto (LABIOMEP) e professor na Faculdade de Medicina do Porto, em comunicado enviado à comunicação social.

O diretor executivo da Simoldes, Rui Paulo Rodrigues, considera que "este é um bom exemplo do que é possível fazer para apoiar os profissionais de saúde, fortemente sacrificados durante este período de pandemia" e destaca como "fundamental" a colaboração entre a academia e a indústria.

Um exemplo de parceria

Segundo a Lusa, a investigação que resultou neste equipamento teve como base as preocupações ligadas aos constrangimentos provocados pela pandemia da covid-19, uma realidade que se mantém atual, referem vários membros da equipa.

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"Se olharmos um pouco para trás e tivermos em conta que, em 2002, tivemos o SARS-CoV-1, em 2012, o MERS-CoV e, em 2019, o SARS-CoV-2, percebemos que estamos a dar resposta a um problema que nos vai acompanhar no futuro", refere a fisiatra do Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga e docente da Faculdade de Medicina Dentária da U.Porto (FMDUP) Catarina Aguiar Branco, que participou nos testes, monitorização e validação deste dispositivo.

Também o professor da FMUP Miguel Pais Clemente destaca o "conjunto de docentes, investigadores e parceiros envolvidos [no projeto] que quiseram estudar a problemática associada à covid-19 em termos de equipamento de proteção individual, tendo trabalhado no sentido de apresentarem uma solução que foi alvo de uma patente".

Esta invenção já motivou um pedido de proteção de propriedade intelectual ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, através do gabinete de transferência de conhecimento U.Porto Inovação.

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