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Detetadas falhas na rede pública de carregamento elétrico

Detetadas falhas na rede pública de carregamento elétrico

Um teste da Deco à rede pública de carregamento elétrico concluiu que esta é geograficamente desequilibrada, tem falta de potência e de postos, que estão separados por longas distâncias.

Em Portugal, ainda se colocam muitos obstáculos a quem aposta na mobilidade sustentável, alerta a organização da defesa do consumidor, que defende alterações à lei para que o carro elétrico seja uma opção prática.

As desigualdades territoriais também são evidentes no que diz respeito à rede pública de carregamento elétrico. "Nas zonas do interior, particularmente do Alentejo, a oferta é, de facto, escassa, e as distâncias entre eles são elevadas, sobretudo para veículos com autonomia mais reduzida", afirma, ao JN, Alexandre Marvão, especialista em mobilidade da Deco, considerando "fundamental" garantir, fora das localidades, distâncias inferiores a 50 quilómetros entre postos.

O estudo revela também que é escassa a oferta de carregadores rápidos - apenas 7% têm potência superior a 42 kWh -, pelo que propõe a conversão da rede pública para carregadores com mais de 22 kWh e a instalação de pontos de carregadores rápidos e ultrarrápidos, e em número suficiente, em todas as estações das principais rotas das autoestradas.

"A questão da velocidade do carregamento é muito importante, porque não só reduz o tempo de paragem como a necessidade ter uma grande quantidade de carregadores", sublinha o responsável.

A organização da defesa do consumidor alerta também para as dificuldades de pagamento por parte de turistas ou utilizadores ocasionais, já que à rede só pode aceder quem tiver celebrado contrato com uma operadora. Nesse sentido, "deveria existir a possibilidade de, em todas as estações, ser possível pagar com cartão de crédito ou débito, dinheiro ou um cartão pré-pago".

O estudo aponta ainda para a necessidade de reforçar a lei ou dar acesso a financiamento para que se possam instalar postos de carregamento privados nos edifícios antigos e nas novas construções. "Seria uma medida muito relevante, porque a instalação de carregadores privados nos condomínios tem encontrado muitos obstáculos", acrescenta.

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Falta, também, regulamentar e harmonizar os critérios das tarifas e das taxas extra. "A tarifa tem de ser justa e estar indicada, com informação clara sobre o preço da energia, a par da criação de um protocolo de comunicação comum entre as estações. Só desta forma as apps podem exibir dados fiáveis, como o local, a disponibilidade, o preço e a reserva", explica.

Para realizar o teste, a Deco percorreu três mil quilómetros em Portugal, Espanha, Itália e Bélgica, em carros 100 por cento elétricos de forma a avaliar a resposta da rede pública de carregamento elétrico. E concluiu que a situação em Portugal não é das piores. "Temos casos muito mais graves em outros países, como no interior do Norte de Espanha, em que as distâncias entre postos são superiores a 100 quilómetros", observa Alexandre Marvão.

Para a Deco, "falta uma visão comum e integrada" a nível europeu, com postos mais rápidos e melhorias a introduzir na lei. "O legislador, os construtores de carros, as empresas e os operadores de postos ainda têm muito trabalho pela frente para tornarem o carro elétrico uma opção apelativa para os consumidores. Há ainda muitas barreiras a derrubar", alerta Alexandre Marvão.

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