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"Deus, Pátria e Família": a frase do Estado Novo repetida no congresso do Chega

"Deus, Pátria e Família": a frase do Estado Novo repetida no congresso do Chega

Uma grande parte dos discursos do IV Congresso do Chega que decorre até domingo na Expocenter de Viseu quis demarcar-se dos epítetos de partido fascista e xenófobo por que muitas vezes é rotulado. Ainda assim, um dos lemas do Estado Novo foi discursado, repetido e aplaudido.

"Deus, Pátria e Família". A triologia da educação do Estado Novo, base do ensino escolar do tempo da ditadura, marcou o final do discurso de Pedro Lynce, que encabeçou a lista A de delegados ao congresso por Santarém. No início, o discurso de Pedro Lynce não parecia trazer nada de novo: pediu para as concelhias terem acesso aos contactos dos militantes, pediu para os militantes dedicarem mais energia e talento à causa do Chega, alertou para a falta de controlo de quem se filia, o que permite "a possibilidade de haver militantes criminosos".

No final, rematou o discurso com os tradicionais "viva o Chega" e "viva André Ventura", mas logo acrescentou "Deus, Pátria e Família, tenho dito". O aplauso não foi generalizado, mas teve entre os apoiantes o presidente da mesa, Jorge Valsassina Galveias.

A mensagem repetir-se-ia algumas horas depois pelo militante António de Oliveira Martins, para quem a política "é uma forma de ser português, com Deus, respeitando-o, com a Pátria, aprendendo a amá-la, com a Família, no respeito pelas suas tradições". Novo aplauso.

A frase não é estranha para muitos congressistas do Chega. Já foi repetida noutros congressos e por ali nem sequer é vista com conotação fascista, embora tenha sido tantas vezes associada a ditaduras. Não foi só em Portugal. Também no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro causou polémica ao usar o lema num discurso ao país. Do outro lado do Atlântico, "Deus , Pátria e Família" era usado pela Ação Integralista Brasileira, o movimento inspirado no fascismo italiano.

De volta ao Chega, vários militantes recusam o epíteto de fascista da frase. Veem-na como três valores a seguir que serão vertidos no programa eleitoral sem conotações totalitárias. "Os valores são o que fazemos deles", diz-se, dando como exemplo os exames nacionais, que António de Oliveira Salazar valorizava.

As referências ao Estado Novo no congresso do Chega não se ficaram por aqui. Pedro Arroja, responsável pela área de Economia do gabinete de estudos do partido, que está a desenhar o programa económico com que o partido se vai apresentar a eleições, viajou até ao ano de 1972, ao período da ditadura, para referir que Portugal nesse ano cresceu 11%. Por comparação, acrescentou, Portugal "cresceu nos últimos 20 anos cerca de metade daquilo que cresceu num ano, em 1972".

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