Peregrinos

Devoção é igual mesmo para quem não cabe no Santuário de Fátima

Devoção é igual mesmo para quem não cabe no Santuário de Fátima

Joaquim de Azevedo, 65 anos, e a mulher, Celeste Costa, 72 anos, deslocaram-se de Braga, de carro, para assistir às cerimónias religiosas no Santuário de Fátima. Mas, esta manhã, não conseguiram lugar dentro do recinto, onde a capacidade máxima era de 7500 peregrinos. "A devoção é igual", dentro ou fora do recinto do Santuário de Fátima.

"Não temos nada a reclamar. É preciso ter consciência que é por uma questão de saúde", diz Joaquim de Azevedo ao JN. Já Celeste confessa que "gostava de lá [recinto] estar", mas não chegaram a tempo de ocupar um dos círculos desenhados no chão do Santuário, para garantir o distanciamento entre os peregrinos, recomendado pela Direção Geral de Saúde.

No entanto, não foi isso que impediu o casal de Braga de cumprir a promessa que fez a Nossa Senhora de Fátima, no dia anterior. Quando chegaram, às 9.10 horas, ainda estava pouca gente no recinto. "Pedimos para nos ajudar, aos nossos filhos, aos nossos netos e aos nossos bisnetos", revela Celeste. Mas só permaneceram dez minutos na Capelinha das Aparições, "para dar a vez a outros", explica Joaquim.

Sentados em cadeiras de campismo, de mantinha nas pernas, e protegidos por um guarda-chuva, Celeste e Joaquim não conseguiram, contudo, escutar toda a homilia do cardeal D. José Tolentino de Mendonça, que presidiu este ano às cerimónias religiosas.

As irmãs Helena Lopes e Cristina Graça voltaram a percorrer, este ano, 86 quilómetros a pé, entre Miranda do Corvo e Fátima, ao longo de dois dias. Ontem, chegaram ao recinto duas horas e meia antes de começarem a rezar o terço, para arranjarem lugar. Hoje, às 9.30 horas, o recinto já estava lotado, pelo que ouviram a homilia na zona a sul do Santuário, junto a um parque de estacionamento, tal como aquele casal de Braga.

Espaço desaproveitado

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"As restrições são necessárias, mas o espaço à volta do recinto talvez pudesse ter sido mais bem aproveitado, de forma aos peregrinos estarem seguros e acolhidos", sugere Cristina Graça. "A seguir à Igreja da Santíssima Trindade, há muito espaço desaproveitado. É pena", observa. Helena manifesta ainda pena por não terem podido comungar.

Para contornar os problemas de som, que dificultaram a audição da mensagem de D. Tolentino, as irmãs de Miranda do Corvo acompanharam a homilia através do telemóvel de dois amigos, que percorreram o caminho com elas.

Durante a peregrinação, transportam um crucifixo de grandes dimensões, com a imagem de Cristo com fitas coloridas. Cristina explica que cada uma delas tem o nome das pessoas que a acompanharam as 37 vezes que foi a Fátima a pé. No caso de Helena, esta foi a vigésima peregrinação.

Na palavra final de despedida das cerimónias, D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, recordou que hoje se celebram duas datas importantes. A primeira é o 75º aniversário da coroação da imagem de Nossa Senhora. "Fica associada à coroa a paz no mundo inteiro. Foi essa a mensagem de Nossa Senhora de Fátima."

A 13 de maio assinala-se também ao 40º aniversário do atentado de João Paulo II na Praça de Roma, em Itália. Em 1989, o Papa doou a Fátima uma bala desse atentado, que foi encastelada nesta coroa. "Fátima veio iluminar o mundo às escuras."

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