Ensino

Dezasseis ministros da Educação em Lisboa pelo futuro dos professores

Dezasseis ministros da Educação em Lisboa pelo futuro dos professores

Os novos desafios do ensino e as condições de trabalho dos professores vão ser debatidos esta quinta-feira e amanhã, em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, na Cimeira Internacional sobre a profissão docente. Ontem, os 16 ministros da Educação e dirigentes sindicais de países com bons resultados no PISA visitaram agrupamentos no dia em que começaram a ser distribuídos nas escolas um crachá da Federação Nacional de Professores (Fenprof) sobre a recuperação do tempo de serviço congelado - "9A, 4M, 2D" é a inscrição que simboliza os 9 anos, quatro meses e dois dias, dos quais o Governo propõe recuperar dois anos e dez meses.

No ano passado, em Edimburgo (Escócia), quando aceitou o convite para organizar a edição de 2018, a equipa ministerial portuguesa concordou em olhar para as condições de trabalho dos professores e em tornar a carreira docente mais atrativa. O processo está longe de pacífico: o reposicionamento na carreira uniu todos os sindicatos contra o Governo em greves que as organizações ameaçam repetir.

Na intervenção de amanhã, Mário Nogueira irá defender, por exemplo, o regime especial de aposentação. Hoje o líder da Fenprof criticará o processo de descentralização. "À escola o que é da escola", defenderá.

"Os nossos anfitriões em Portugal constituem um excelente exemplo de como os sistemas escolares podem progredir rapidamente para resultados educacionais melhores e mais equitativos, investindo nos seus professores", sublinha o diretor da Educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) - parceira de Portugal na organização da cimeira. Andreas Schleicher alerta que os professores têm de começar a "preparar os alunos para o futuro e não para o passado". Isto é, o ensino tem de mudar e passar a dar respostas às rápidas mudanças sociais. "O foco deve mudar para permitir que as pessoas se tornem aprendizes ao longo da vida".

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues participa na sessão de abertura e em reuniões bilaterais com os seus homólogos da China, Finlândia, Singapura, Rússia, Bélgica, Canadá, Estónia, Noruega, Nova Zelândia, Polónia, Reino Unido, Suécia, Alemanha, Dinamarca e Geórgia - países com os melhores resultados no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) ou maiores subidas (caso de Portugal que graças ao desempenho em 2015 conseguiu, pela primeira vez, lugar na cimeira que se realizou na Escócia).

"Novos desafios e oportunidades da carreira docente na educação pública" é o lema que será desenvolvido em três painéis: as escolas no centro das comunidades; pedagogias para o futuro e o bem-estar dos professores.

Para o secretário-geral da Internacional da Educação (EI), David Edwards, "esta cimeira tem uma excelente ordem de trabalhos. Enfatiza que o futuro da profissão docente só pode ser moldado no setor público".