Covid-19

DGS faz inquérito para avaliar se pandemia está a motivar mais exercício

DGS faz inquérito para avaliar se pandemia está a motivar mais exercício

O isolamento no país levou ao surgimento de dezenas de iniciativas online de atividade física. Há várias aulas e treinos a serem partilhados gratuitamente, todos os dias, por universidades, ginásios ou figuras públicas.

"Parece que a atividade física está a receber elevada atenção nesta fase. A visão que temos é que a população está a usar isto como uma âncora de normalidade", explica Marlene Silva, diretora do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física da DGS, que juntamente com o Programa Nacional de Promoção da Alimentação Saudável, lança um inquérito nacional esta semana. Hoje é o Dia Mundial da Atividade Física.

"Vamos avaliar a atividade física e a alimentação dos portugueses em isolamento. É fundamental perceber como é que os cidadãos estão a viver esta fase. Que tipo de atividade estão ou não a fazer, como estão os hábitos alimentares", esclarece Marlene Silva. Para isso, será usada uma amostra representativa da população, estratificada por género, idade e região. O inquérito será online e através de chamadas telefónicas.

Diferentes motivações

Pelo país, multiplicam-se as iniciativas nas redes. Mas a DGS não quer ser enviesada "pelo otimismo". "Podemos estar a ter uma visão errada. Por isso é que o inquérito é importante. Mas há de facto muitos projetos e muito interessantes, há uma oferta muito grande, a nível privado e público", diz a diretora do programa que acredita em várias motivações para este boom de atividade. "Para muitas pessoas, será porque cozinham e comem mais. Para outras pode ser uma forma de passar o tempo e se divertirem em família. Ou pode ser algo mais ligado ao bem estar".

Um dos primeiros projetos a surgir foi o UPFit do Centro de Desporto da Universidade do Porto, em que os professores emitem aulas online, incluindo de desporto adaptado e para crianças. Para lá das redes, também há iniciativas entre vizinhos. Nas Caldas da Rainha, a treinadora de natação e triatlo, Carla Ferreira, dá uma aula todos os dias aos moradores do seu empreendimento, que assistem e fazem das suas varandas.

As Associações de Profissionais de Educação Física e Desporto não passam ao lado do fenómeno e lançaram o desafio às famílias para enviarem vídeos criativos. Chama-se "Família On, Família + Feliz", que serão partilhados nas redes do CNAPEF. "Recebemos dezenas. A ideia é as pessoas fazerem exercício em família em casa", diz Avelino Azevedo. O professor de Educação Física sente que há mais adesão a aulas online e ao exercício na rua, "por haver mais tempo e por ser gratuito". Mas põe os pesos na balança: "As pessoas em casa não vão caminhar tanto como num dia normal. E vão comer mais".

Depois desta quarentena, acredita que "vamos sair todos mais conscientes que temos de ser mais ativos". "Por não podermos mexer-nos tanto, estamos a dar importância a isso", principalmente "os jovens, que são cada vez menos ativos, com as novas tecnologias".

Manual da DGS

A DGS lança esta segunda-feira um manual que agrega todas as iniciativas em curso para a prática da atividade física em isolamento social. Engloba projetos de instituições do ensino superior, de entidades governamentais e de entidades de utilidade pública ligadas à atividade física. Incluem aulas em direto, gravadas, planos de exercício ou recomendações nutricionais.

Ginásios/influencers

Já há um ginásio completamente online em Portugal (ginasio-online.pt), com centenas de aulas acessíveis. Outros, como o Fitness Hut ou o Holmes Place migraram para a Internet. E há figuras públicas, como a influencer Helena Coelho e o namorado Paulo Teixeira, a partilhar treinos no Instagram.

74% de sedentários?

Os últimos números, de 2017, sobre a atividade física em Portugal revelavam que 74% dos portugueses com mais de 15 anos raramente ou nunca praticavam desporto. Mas especialistas acreditam, pela observação, que isso já não reflete a realidade atual. A DGS aconselha, além de 30 minutos de atividade diária, a não passar o resto do dia sentado a ver Netflix ou em teletrabalho. A cada 30 minutos, deve levantar-se para se espreguiçar ou ir à casa de banho.

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