Saúde

DGS prepara manual de alimentação saudável para creches

DGS prepara manual de alimentação saudável para creches

Maria, nome fictício, ficou surpreendida quando a sua filha de dois anos lhe revelou que tinha comido "Chocapic" no jardim de infância. A Direção-Geral de Saúde está a preparar um manual de alimentação saudável para os primeiros 1000 dias de vida para evitar estas situações.

A escola recebia embalagens de comida via uma organização governamental, ONG, e este era um dos produtos que reforçava a despensa. Refira-se que em muitas creches as refeições são fornecidas por empresas de "catering" e os produtos que as compõem nem sempre são os mais adequados às idades precoces.

Será que os douradinhos são saudáveis? E o atum? E as salsichas? E o arroz doce? E a gelatina? As dúvidas acerca da presença destes alimentos na ementa dos mais pequenos que frequentam uma creche será esclarecida ainda no decorrer deste ano, quando for lançado o "Manual sobre a promoção da alimentação saudável nos primeiros 1000 dias", pela DGS.

O objetivo é criar um conjunto de diretrizes sobre a alimentação para bebés de colo e crianças na primeira infância. A publicação do manual, prevista no Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, PNPAS, que esta tarde será apresentado, no Porto, procura pôr cobro à falta de indicações específicas para esta faixa etária.

Como as creches são um serviço que em Portugal é, na sua maioria, assegurado pelas instituições particulares de solidariedade social, refere o relatório, a publicação destas recomendações pressupõe uma colaboração entre o Ministério da Educação e o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e realizar-se-á numa articulação com a Estratégia Nacional para a Alimentação Do Lactante e Criança Pequena.

"A intervenção alimentar nos primeiros 1000 dias de vida é determinante na prevenção da obesidade e de outras doenças crónicas", sublinha o relatório. Apesar da queda registada no excesso peso das crianças portugueses entre os seis e os oito anos, nos últimos 11 anos, como revelou na semana passada o relatório COSI 2019, um terço destas crianças apresenta peso a mais, ou seja, 30 em 100. E a obesidade atinge 12 em 100.

A Organização Mundial de Saúde revelou esta manhã um estudo, no qual detetou que um em cada três alimentos infantis tem níveis de açúcar excessivos e que estes são comercializados de forma incorreta como adequados para bebés com menos de seis meses.

OMS alerta para purés de fruta

A análise realizada em quatro cidades europeia Viena (Áustria), Sofia (Bulgária), Budapeste (Hungria) e Haifa (Israel) alerta particularmente para os purés de frutas concentrados. "Esses aromas e açúcares adicionados podem afetar o desenvolvimento das preferências de sabor das crianças aumentando o gosto por alimentos mais doces", indica a OMS.

O Roteiro de ação para 2019/2020 do PNPAS, propõe ainda limites para o sal e açúcar para queijos, fiambres que ficaram de fora da iniciativa anterior (redução de 10% nos cereais, leite com chocolate); uma melhoria no sistema de rotulagem; e a criação de uma nova Roda dos Alimentos. Recorde-se que a que está em vigor data de 2003.

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