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"Dia com mais testes terá sido a última quarta-feira, com cerca de 13.300", diz ministra

"Dia com mais testes terá sido a última quarta-feira, com cerca de 13.300", diz ministra

A ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou, este domingo, que "o dia em que terão sido realizados mais testes terá sido a última quarta-feira, com cerca de 13.300".

A ministra referiu que, dos 27 óbitos das últimas 24 horas, 19 eram pessoas com mais de 80 anos. "Do total de casos confirmados em tratamento, 87,3% permaneciam a ser tratados domiciliarmente e 61% dos indivíduos em internamento", especificou Marta Temido.

"Em termos de testes, desde o dia 1 de março, foram realizados cerca de 249 mil testes, 32% no mês de março e 68% já no mês de abril, o que mostra a intensificação dos testes diagnósticos. O dia em que terão sido realizados mais testes terá sido a última quarta-feira, com cerca de 13.300", informou a ministra.

Sobre a entrega de material, Temido revelou que "nesta semana foram entregues 900 mil kits de teste e cerca de 334 mil zaragatoas". "Foram ainda entregues 5,5 milhões de máscaras cirúrgicas e 1,2 milhões de máscaras respiratórias, além de batas, toucas e outros materiais de proteção individual".

Já o SNS24 "continua a funcionar com regularidade, tendo sido recebidas 7700 chamadas no último dia, com um tempo médio de espera de cerca de 21 segundos por atendimento", acrescentou.

Feito o balanço, Marta Temido disse que "o foco de hoje é a saúde mental", acrescentando que as autoridades "entenderam publicar uma norma específica para a saúde mental em contexto da pandemia de Covid-19".

"Desde o início da pandemia, encontrámos vários factos disruptivos dos nossos alicerces sociais. Como sempre, os mais vulneráveis são os mais expostos. Nestes dias, ter boa saúde mental é também ter capacidade de resistir e manter o isolamento social. Um gesto, uma saída desnecessária podem deitar tudo a perder. E não seríamos verdadeiros se não disséssemos isto aos portugueses frontalmente", alertou a ministra.

"Confusão enorme" sobre saúde mental

Passada a palavra, o diretor do Programa Nacional de Saúde Mental, Miguel Xavier, esclareceu alguns pontos sobre a questão da saúde mental, que gera "uma confusão enorme". "Temos medo por nós, temos medo pelas nossas famílias. O segundo determinante é a disrupção social. Nós somos pessoas sociais e estamos habituados a viver em sociedade. E estamos numa situação em que não vemos tudo isso. Tivemos de nos converter ao teletrabalho de uma forma extremamente rápida, temos dificuldades e isto faz com que algumas das coisas que são cruciais para a nossa saúde mental estejam também elas próprias interrompidas", explicou.

O responsável alertou também para problemas de ansiedade e preocupação em relação ao futuro, "que podem traduzir-se em insónia", ou até o recrudescimento de "alguns conflitos latentes". Além disso, toda a informação que é facultada aos cidadãos é também um fator de ansiedade, apontou o diretor do Programa de Saúde Mental.

"Não deixaremos que um gesto deite a perder todo o trabalho coletivo"

Na parte das perguntas e respostas, o primeiro tema foi a questão das comemorações do 25 de Abril e do 1.º de Maio. "Obviamente estamos a trabalhar para a definição das regras exatas em que possam acontecer esses momentos da nossa vida. O ministério quer deixar claro que continuaremos a fazer o trabalho para proteger todos. As pessoas podem ficar tranquilas, não deixaremos que um dia, um gesto deitem a perder o trabalho coletivo", garantiu Marta Temido.

Relativamente aos testes, a ministra disse que a dispersão de entidades que estão a realizar testes em Portugal "torna a agregação dos números, por vezes, um pouco mais demorada do que aquilo que é o relato". Quanto ao provável pico em março, que referiu no sábado, afirmou que isso "responsabiliza das pessoas". "Independentemente disso, temos tido sempre a transparência de dizer aos portugueses que não podemos afastar do horizonte nem novas ondas nem um recrudescimento da doença quando as medidas forem limitadas", observou Temido.

"Regra do distanciamento social é para manter, obviamente, porque temos de ser coerentes, mantendo o limite de pessoas. Chegaremos a um consenso sobre a melhor forma de comemorar datas que são muito importantes, mas conciliando com o distanciamento social. É possível ter comemorações sem existir este contacto próximo entre pessoas", afirmou Graça Freitas.

"Quando aliviamos medidas de distanciamento social, pode haver um aumento de casos. Há um bem maior, que se sobrepõe, que é o bem da saúde pública. Vamos tentar equilibrar tudo com muito cuidado e tem de ser visto dia a dia, vigiando as curvas e a forma como o vírus se propaga entre as pessoas", acrescentou.

"A epidemia está longe de estar controlada. Temos de ter muita atenção, é necessária vigilância. Nada é dado como adquirido. Este vírus depende muito do nosso comportamento e das nossas ações. O vírus vai estando controlado todos os dias, mas é um controlo relativo. É apenas uma onda de um intervalo de ondas da epidemia", disse ainda a diretora-geral da Saúde.

Mais 27 vítimas mortais em 24 horas

O número de casos de Covid-19 em Portugal subiu para 20.206 nas últimas 24 horas, com mais 521 casos do que sábado. Há ainda 714 vítimas mortais, um aumento de 27 óbitos em relação aos dados divulgados ontem.

O número de casos recuperados manteve-se igual ao apresentado no relatório de situação epidemiológica divulgado no sábado. Neste momento, há 4959 pessoas a aguardar os resultados de testes já realizados e 27947 casos encontram-se sob vigilância das autoridades de saúde.

Neste momento, segundo o documento elaborado pela Direção-Geral de Saúde, há 1243 pessoas internadas em Portugal com Covid-19. 224 das quais encontram-se em Unidades de Cuidados Intensivos, um valor abaixo do registado nas 24 horas anteriores (menos quatro pessoas).

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