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Dificuldades de acesso às comunicações gera discriminação no interior

Dificuldades de acesso às comunicações gera discriminação no interior

A discriminação na educação, no mundo empresarial e no turismo provocadas pela dificuldade de acesso à rede de comunicações móveis à internet no interior preocupa o presidente da ANACOM, João Cadete de Matos, que esta quarta-feira, em Miranda do Douro, reconheceu a urgência em criar um sistema de rooming nacional para minimizar o problema.

"Se houvesse partilha de redes, aqui em Miranda do Douro a radiografia do concelho seria diferente. Às vezes há antenas de uma operadora e as das outras não conseguem comunicar", afirmou Cadete de Matos durante a apresentação do resultado da avaliação de desempenho de serviços móveis e de cobertura GSM, UMTS, LTE em Miranda do Douro.

A proximidade do concelho com Espanha leva os telemóveis a detetar primeiro a rede espanhola do que a portuguesa. Há aldeias só com rede espanhola e casos em que as chamadas para o 112 vão parar a Espanha, atrasando o socorro.

A avaliação foi feita após uma promessa de Cadete de Matos durante a conferência dos 133 anos do Jornal de Notícias, no dia 2 de junho, perante as queixas do autarca mirandês face às dificuldades.

"Feita a avaliação constataram-se as grandes assimetrias entre aglomerados populacionais uns com fibra ótica e outros sem, mais de metade das freguesias não têm nenhum acesso. Na rede móvel também há desequilíbrio e em algumas populações não conseguem fazer chamadas de voz, há muitos sítios onde as chamadas de voz não se completam e no acesso à internet o défice é ainda maior", descreveu o responsável da ANACOM.

Para aferir as qualidades de comunicações móveis e de acesso à Internet no concelho de Miranda do Douro entre 14 e 16 de junho os técnicos da ANACOM percorreram 550 quilómetros e fizeram mais de um milhar de medições de voz e dados.

Tendo concluído que a cobertura do sinal radioelétrico varia entre muito boa na cidade, e muito má, muito má ou inexistente nas aldeias, sendo que a ausência de rede foi verificada em todas as operadoras, principalmente na NOS (71%), Vodafone (69%) e Meo (54%). A cobertura muito boa é baixa, nomeadamente 26% Meo, 13% Vodafone e 11% na NOS.

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O autarca de Miranda do Douro, Artur Nunes, destacou a importância "deste diagnóstico fino" da realidade e espera que a situação melhore. "Veio que confirmar que estamos atrasados face ao resto do país. Estamos ainda no 2G", lamentou.

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