Conselho Nacional

Denunciado "ataque às bases" para um "CDS centralista"

Denunciado "ataque às bases" para um "CDS centralista"

O Conselho Nacional desta sexta-feira visa um "um ataque às bases" e "manietar" as estruturas locais" para regresso ao "partido centralista", refere um comunicado assinado por líderes distritais do Porto, de Aveiro, Setúbal, Leiria, Coimbra e Vila Real, bem como líderes concelhios e ex-candidatos à liderança. Os críticos de Nuno Melo contestam "o pagamento obrigatório de avultadas e inéditas quotas".

"O Conselho Nacional (CN) do CDS convocado para hoje tem um único propósito: trata-se de um ataque às bases do partido e de uma tentativa de manietar as suas estruturas locais, cumprindo um plano há muito previsto e para cujos resultados alertámos por diversas ocasiões", refere o comunicado.

Desde logo, consideram que "o modelo exclusivamente presencial das reuniões do CN representa um lamentável retrocesso na promoção da ampla participação de todos os conselheiros nacionais, designadamente dos que se encontram mais longe de Lisboa e que são a maioria". Ou seja, "todos os que não conseguem dispor do tempo ou dos meios financeiros para se deslocarem à capital num final de tarde de um dia trabalho ficam, pura e simplesmente, excluídos da participação na vida interna do partido".

Em seguida, lamentam o "regresso ao registo do partido centralista e centralizado, no qual um pequeno grupo, a partir da sede nacional, se impõe só porque existe, é um perigoso sinal sobre o suposto paradigma de partido inclusivo, que tanto serviu de arma de arremesso nos últimos meses".

"Falta plano de recuperação financeira"

"Olhando para a ordem de trabalhos deste CN, não se vislumbra um plano de recuperação financeira ou sequer uma ideia estratégica para ultrapassar o momento extremamente sensível que o partido atravessa", acusam igualmente os subscritores desta posição.

Explicam que, "do vasto conjunto de documentos apresentados pela atual direção do partido, apenas se extrai a intenção de implementar o pagamento obrigatório de avultadas e inéditas quotas, sem que se perceba em que medida essa eventual receita acomodaria as despesas orçamentadas (se é que estão orçamentadas e previstas)".

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No entender dos críticos, "o que a experiência demonstra, contudo, é que o pagamento obrigatório de quotas - sobretudo se não são simbólicas - se traduz numa significativa redução da participação na vida interna do partido, num decréscimo de militância e, consequentemente, num reduzido impacto nas receitas correntes".

"Quotas são para dominar os diretórios"

"Infelizmente, os reais objetivos desta medida são bem conhecidos: o que se pretende é dominar os diretórios, controlar as estruturas distritais e concelhias, reduzir a democraticidade interna, dividir os militantes, desconsiderando o seu maior ativo", alertam os 16 subscritores, acrescentando que "o procedimento escolhido, além de levantar, juridicamente, as maiores reservas, carece de autoridade moral".

Defendem um "partido sem donos"

Pelo contrário, defendem que, no momento atual, "seria pedagógico ver no exemplo dos eleitos e dos nomeados, dos avençados e dos titulares de cargos remunerados direta ou indiretamente pelo partido, um contributo distinto e relevante". "Com a contribuição permanente de autarcas, assessores e demais pessoal político do partido, seria possível obter uma receita em linha com a dos últimos anos. De resto, as dezenas de milhares de militantes a quem se dirige a regra das quotas obrigatórias, decerto apreciariam saber que contributo efetivo têm dado os dirigentes que agora a querem impor", argumentam, ainda a propósito daquela medida.

Por fim, prometem não abdicar do "combate pela transparência dos processos, pela participação de todos e pela dignificação do principal ativo do CDS - que são todos os seus militantes, sem exceção". "Continuaremos fiéis à certeza de que o CDS só tem futuro se for um partido sem donos", rematam os críticos.

Líder da Distrital do Porto é primeiro subscritor

O documento é assinado em primeiro lugar por Fernando Barbosa, presidente da Comissão Política Distrital do Porto, seguindo-se Miguel Barbosa, autarca e antigo vice-presidente do CDS-PP, e Miguel Mattos Chaves, ex-candidato à presidência do partido.

A lista inclui depois Fernando Camello de Almeida, presidente da Distrital de Aveiro, bem como o líder distrital de Setúbal, João Merino, o de Leiria, Rosa Guerra, o de Coimbra, Jorge Alexandre Almeida, e também o de Vila Real, Gonçalo Alves, bem como o coordenador Distrital de Beja, António Carneiro.

Quanto aos líderes concelhios, assinam o comunicado Vitor Pereira, presidente da Comissão Política de Vila Nova de Gaia; Jorge Santos, de Loures; Dora Vilhena, de Figueira de Castelo Rodrigo; e Adriano Santos, de Amarante.

Seguem-se no elenco de críticos Bruno Filipe Costa, ex-candidato à presidência do CDS-PP; Mário Cunha Reis, porta-voz da Tendência Esperança em Movimento; e Filipa Correia Pinto, cabeça de lista pelo Porto nas legislativas.

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