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Direita critica congresso do PCP, Governo lembra que lei vem do tempo de Cavaco

Direita critica congresso do PCP, Governo lembra que lei vem do tempo de Cavaco

O PSD, o CDS e o Chega criticaram, durante o debate sobre o estado de emergência, a realização do congresso do PCP. O ministro Eduardo Cabrita mostrou-se "surpreendido", recordando que a lei que o permite foi elaborada por um Governo de Cavaco Silva.

"Milhões de portugueses estarão bloqueados em casa e umas centenas de comunistas em alegre convívio congressista", afirmou Adão Silva, líder parlamentar do PSD, apontando a mira ao Governo por permitir o congresso do PCP, que se vai realizar entre 27 e 29 de novembro, em Loures. "Como se há-de compreender?".

Esta sexta-feira, durante o debate no parlamento, o deputado social-democrata acrescentou que o Executivo aceita a realização do evento porque "deve a sua sobrevivência ao PCP". No entanto, "o que a nós o que nos interessa é a sobrevivência dos portugueses, das empresas, do emprego e dos serviços de saúde", contrapôs.

O PSD votou a favor da renovação do estado de emergência, mas fez do congresso comunista o centro do seu discurso. "Para uns ditam-se proibições e para outros aceitam-se exceções", criticou Adão Silva, pedindo que o Governo seja "coerente" e criticando a "obstinação, prepotência e arrogância" do PCP.

"PCP devia organizar o Natal"

Também o CDS se concentrou nesse tema durante a sua intervenção. "Em Portugal, o negacionismo é de esquerda e o Congresso do PCP é um bom exemplo", afirmou Telmo Correia.

Para o deputado, a realização dessa reunião política prova que "a lei não é igual para todos", uma vez que o Governo "precisa cada vez mais" dos comunistas. Com isso, "vai perdendo o pé e a credibilidade".

André Ventura, do Chega, juntou-se ao coro de críticas: "Talvez seja melhor ser o PCP a organizar o Natal, porque assim teremos a certeza de que haverá Natal para as famílias", ironizou.

PCP pergunta se críticas do PSD foram "mais uma encomenda do Chega"

O ministro Eduardo Cabrita, que encerrou o debate, defendeu o direito dos partidos desenvolverem atividade política mesmo em estado de emergência, recordando que a lei que o possibilita foi aprovada por um governo de Cavaco Silva.

"Estamos a tomar todas as decisões excecionais ao abrigo da Constituição e ao abrigo à lei do estado de emergência aprovada em 1986 sob iniciativa do governo liderado por Cavaco Silva quando era presidente da República Mário Soares", afirmou o governante.

Cabrita mostrou-se "surpreendido" por PSD, CDS e Chega "apelarem à suspensão da democracia". "É injusta a crítica feita ao presidente da República, porque o decreto presidencial não pode proibir o que está na lei proibido proibir", referiu, insistindo que "a pandemia não suspende a democracia".

Na sua intervenção, o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, garantiu que o congresso se vai realizar "com todas as condições de segurança sanitária", servindo como "exemplo" daquilo que os comunistas defendem "para todas as áreas de atividade no país".

O deputado também questionou o PSD se a insistência laranja acerca do congresso comunista "foi mais uma encomenda do Chega que o PSD cumpriu".

João Oliveira salientou ainda que o PCP se opõe a que a vida do país seja "proibida ou suspensa". Os comunistas, recorde-se, voltaram a votar contra o estado de emergência.

Além do PCP, também PEV, Iniciativa Liberal e Chega se opuseram à renovação do estado de exceção. Este foi, no entanto, aprovado com os votos favoráveis de PS e PSD e as abstenções de BE, CDS e PAN.

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