Ensino

Diretores do profissional pedem para executar fundos em computadores

Diretores do profissional pedem para executar fundos em computadores

Os cursos profissionais são financiados por fundos comunitários. Diretores de escolas públicas e o presidente da Associação Nacional de Escolas Profissionais (ANESPO) pedem ao Governo a autorização para reafetarem fundos de outras rubricas ou programas em computadores e acesso à Internet. O acesso é essencial para os alunos apresentarem à distância as Provas de Aptidão Profissional (PAP) para concluírem os seus cursos.

No agrupamento de Canelas (Gaia), "quase todos os alunos"de cursos profissionais, incluindo os de Informática, "não têm computador ou internet em casa e os que têm partilham o equipamento com dois ou três irmãos e um dos pais em teletrabalho", explica o diretor Artur Vieira, que acredita que o retrato está longe de ser exceção no país. "Tenho uma dotação de 240 mil euros para os alunos que não vou poder gastar com esta paragem. Só peço que me deixem gastar esse dinheiro em vez de o devolver."

Artur Vieira escreveu ao secretário de Estado Adjunto da Educação a propor "uma solução: aumentar a verba destinada ao aluguer de material informático de cem para 300 euros" e redirecionar a parcela destinada aos passes de transporte para pagar o acesso à net.

O presidente da ANESPO, José Luís Presa, também aguarda resposta do ministério do Planeamento ao repto que lançou: a reafetação de verbas europeias para dotar, com computador e net, alunos com Ação Social. As escolas privadas estão a tentar minimizar o problema emprestando os equipamentos aos alunos.

ESTÁGIOS SIMULADOS

O primeiro-ministro já esclareceu que para estes alunos concluírem os cursos, as escolas terão de encontrar soluções para que apresentem as PAP à distância. "Há cursos e cursos, se em Informática até pode ser mais fácil, em Cozinha e Mecânica será mais difícil", diz José Eduardo Lemos, presidente do Conselho das Escolas.

Os cursos profissionais têm uma componente teórica e outra prática que culmina com a Formação em Contexto de Trabalho (FCT) - os estágios, atualmente parados com o fecho de escolas e empresas. Nas privadas, a maioria faz a FCT no 11.º º ano. Os diretores garantem que os estágios podem ser concluídos até um ano após a PAP e que essa formação pode ser substituída por atividades "simuladas".

Mais de 110 mil

De acordo com os últimos dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, em 2018, havia 110 311 alunos inscritos em cursos profissionais no continente: 65 940 em escolas públicas, 41 292 em privadas e 3079 em privadas dependentes do Estado.

Acesso ao Superior

Os alunos do profissional e artístico já podem concorrer ao Ensino Superior através de um concurso especial. A adesão de universidades e politécnicos a essa via é voluntária. Os alunos não serão obrigados a fazer os exames nacionais mas terão de fazer as provas de acesso das próprias instituições. No ano passado, dos mais de 159 mil alunos que fizeram exames apenas 766 eram de cursos profissionais.