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"Discurso inédito, fortíssimo e de ultimato"

"Discurso inédito, fortíssimo e de ultimato"

O discurso do presidente da República é uma espécie de ultimato para a concertação parlamentar para efeitos de aprovação do Orçamento de Estado (OE).

Apela ao sentido de responsabilidade de todos os partidos. Não é um discurso protocolar; é um discurso de programa, apresenta um novo ritmo de interdependência de poder. Não ameaça com o que é inconstitucionalmente impossível; apela à existência de um novo contrato social. Cavaco Silva passa uma certidão de notário do resultado eleitoral das últimas legislativas: ninguém tem maioria absoluta, pelo que é preciso que haja entendimento parlamentar. Se isso não acontecer, pode acentuar um conjunto de circunstâncias que nós ainda não visualizámos, mas que certamente já foram equacionadas nas reuniões semanais entre Belém e S. Bento. E aí, ele aproveita para declarar o fim das querelas institucionais. Não usa palavras equívocas, mas duras e reais. É um discurso fortíssimo: recorda que o exemplo deve vir de cima e manifesta-se claramente contra a propaganda governamental. É um discurso inédito, no sentido em que usa a mensagem de Ano Novo essencialmente para para falar ao sistema partidário e parece-me um discurso-preâmbulo, ou seja, o PR vai voltar a falar depois de votado o OE.

* POLITÓLOGO E PROFESSOR, CATEDRÁTICO

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