Saúde

Disparou número de doentes sem dinheiro para ir ao médico

Disparou número de doentes sem dinheiro para ir ao médico

Portugal é o país da OCDE onde mais cresceu o número de pessoas que não puderam ir ao médico por questões económicas.

Entre 2008 e 2014 a percentagem de doentes que referiu não ter tido cuidados de saúde por falta de dinheiro triplicou de 2% para 6%, sendo o país com o aumento mais significativo na Europa.

Segundo o relatório "Health at Glance: Europa 2016", apresentado na Comissão Europeia esta quarta-feira, o aumento dos cuidados de saúde por satisfazer, particularmente entre os mais pobres, suscita preocupações porque pode resultar em piores condições de saúde e aumentar as desigualdades no acesso a cuidados.

O documento que apresenta o panorama da Saúde na Europa destaca que a proporção de pessoas mais pobres que reportou ter ficado sem cuidados de saúde por razões financeiras aumentou em vários países após a crise financeira de 2008.

Em Itália e França cresceu 50%, na Grécia duplicou, enquanto em Portugal triplicou. Ainda assim, entre aqueles países Portugal e França têm o melhor acesso.

Na Grécia mais de 16% da população pobre ficou sem cuidados médicos por falta de dinheiro em 2014 (7% em 2008), enquanto em Itália este problema atingiu 13% das pessoas com mais dificuldades.

O relatório salienta que com melhores políticas de saúde e medidas de prevenção da doença podem salvar-se centenas de milhares de vidas e poupar-se muitos milhões de euros todos os anos na Europa.

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A morte prematura de 550 mil pessoas em idade ativa nos países da União Europeia por doenças crónicas, incluindo ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais, diabetes e cancro custa 115 mil milhões anuais aos Estados Membros.

O documento foca-se também na importância de ter cuidados primários fortes para reduzir as desigualdades no acesso à Saúde e para abordar a evolução das necessidades de uma população europeia cada vez mais envelhecida.

"Assegurar que os cuidados primários estão acessíveis em zonas rurais, remotas ou em bairros pobres, é crucial para reduzir as desigualdades em saúde e o número de hospitalizações evitáveis", pode ler-se no "Health at Glance: Europe 2016".

A este propósito, o relatório revela que 27% dos europeus que recorreram às urgências dos hospitais fizeram-no porque os cuidados primários não estavam disponíveis. Em Portugal, apesar da aposta neste tipo de cuidados e de haver cada vez mais utentes com médico de família, cerca de 30% foram às urgências hospitalares por falta de resposta nos centros de saúde.

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